China rejeita plano da OMS para 2ª fase de estudo sobre origens da Covid-19

Segundo a comissão nacional de Saúde do país, a próxima fase da investigação sobre a origem do vírus 'não respeita o bom senso e é contra a ciência'

Ben Westcott, Isaac Yee e Yong Xiong, CNN
22 de julho de 2021 às 10:48 | Atualizado 22 de julho de 2021 às 11:59

O governo chinês não participará da segunda fase da investigação da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre as origens da Covid-19, anunciou um alto funcionário da saúde nesta quinta-feira (22). A negativa para a continuação do estudo acontece após a possibilidade de o vírus ter vazado de um laboratório de Wuhan ter sido incluída na proposta.

Zeng Yixin, vice-chefe da comissão nacional de Saúde da China, disse em uma entrevista coletiva em Pequim que ficou "surpreso" ao ver a possibilidade do vazamento de laboratório listado como um objetivo de pesquisa na segunda fase da investigação.

“Em alguns aspectos, o plano da OMS para a próxima fase de investigação da origem do coronavírus não respeita o bom senso e é contra a ciência. É impossível aceitarmos tal plano”, disse Zeng Yixin.

Zeng também respondeu às alegações do Departamento de Estado dos EUA de que funcionários do Instituto de Virologia de Wuhan adoeceram pouco antes dos primeiros casos documentados de Covid-19, dizendo que "nenhum trabalhador ou pesquisador do instituto foi infectado pelo coronavírus".

A OMS divulgou um relatório inicial de sua investigação sobre as origens do Covid-19 em março, no qual determinou que o vírus provavelmente se originou em um animal antes de se espalhar para os seres humanos por volta de dezembro de 2019.

O presidente da China, Xi Jinping
Foto: Carlos Garcia Rawlins / Reuters

Mas um número crescente de nações ocidentais, incluindo os líderes do G7, questionou o relatório original. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ordenou que as agências de inteligência dos EUA analisem como a pandemia Covid-19 começou, ressaltando que os observadores ocidentais ainda precisam ter acesso aos principais laboratórios para determinar "se foi um experimento que deu errado".

Poucas novas evidências surgiram para apoiar a teoria de que o vírus foi o resultado de um vazamento acidental do Instituto de Virologia de Wuhan, onde se acredita que a pesquisa do coronavírus foi conduzida em morcegos, e muitos cientistas familiarizados com a pesquisa dizem que tal vazamento é improvável.

No entanto, em março, um membro da equipe da OMS que ajudou a supervisionar a investigação original disse que a teoria do vazamento no laboratório de Wuhan "não recebeu a mesma profundidade de atenção e trabalho" que a hipótese animal.

Zeng Yixin, vice-chefe da Comissão Nacional de Saúde da China
Foto: VCG/VCG via Getty Images

Na última quinta-feira (15), o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, juntou-se aos apelos para que a China coopere mais plenamente com uma nova investigação de origens de Covid-19, dizendo que a primeira análise foi prejudicada pela falta de dados brutos nos primeiros dias da pandemia.

"Pedimos à China que seja transparente e aberta e coopere", disse ele em entrevista coletiva. "Devemos isso aos milhões que sofreram e aos milhões que morreram para saber o que aconteceu."

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse na última sexta-feira (16) que o governo cooperou totalmente com a investigação inicial e refutou as alegações de que pesquisadores não tiveram acesso a quaisquer locais ou dados.

"A posição da China sobre a questão do rastreamento da origem global é consistente e clara. O estudo das origens é uma questão científica. Todas as partes devem respeitar as opiniões dos cientistas e as conclusões científicas, em vez de politizar a questão", disse ele.

Instituto de Virologia de Wuhan, na China
Foto: Thomas Peter/Reuters (3.fev.2021)

(Esse texto é uma tradução. Para ler o original, em inglês, clique aqui)