61% dos brasileiros sentem pressão por rotina equilibrada, diz estudo
A sensação é maior entre mulheres e jovens de e adultos de 18 a 34 anos, segundo levantamento

Encontrar momentos de descontração e autocuidado tem se tornado cada vez mais essencial diante de uma rotina hiperconectada e agitada de trabalho. No entanto, buscar esse dia a dia mais equilibrado pode estar se transformando em mais uma forma de pressão. Para 61% dos brasileiros entrevistados em uma nova pesquisa, existe cobrança em manter uma rotina com equilíbrio.
Os dados são de um levantamento inédito realizado pela PiniOn, uma empresa de pesquisa de mercado especializada em dados competitivos e comportamentais. O trabalho, obtido com exclusividade pela CNN Brasil, contou com 1.550 participantes, contemplando todas as regiões do Brasil, diferentes gêneros, classes socioeconômicas e faixas etárias.
Segundo a pesquisa, a pressão por uma rotina equilibrada é maior entre as mulheres (54,5%, em comparação com 50,4% dos homens) e atinge especialmente jovens e adultos de 18 a 34 anos.
Por outro lado, práticas de autocuidado já fazem parte do dia a dia de uma parcela expressiva da população: 52,5% dos respondentes praticam atividade física, 37% mantêm alimentação equilibrada, 29,4% cuidam da pele e 15,9% meditam regularmente.
Esse contexto revela um cenário paradoxal, em que as pessoas buscam por bem-estar, mas vivenciam esse processo de forma atravessada por exigências externas, performance e comparação. Para 25,7% dos entrevistados, existe uma sensação constante de que é preciso desempenhar bem atividades como exercícios, meditação, alimentação saudável ou skincare, enquanto 59,6% têm esse sentimento ocasionalmente.
Além disso, a sensação de culpa por não estar produzindo é comum: 21,4% dizem sentir isso sempre, e 57,5% às vezes.
Redes sociais aumentam a pressão para o equilíbrio
De acordo com Talita Castro, antropóloga e CEO do PiniOn, as plataformas digitais "reforçam um ideal de equilíbrio difícil de alcançar, e muitas vezes desconectado da realidade". Isso transforma práticas de descanso, autocuidado e equilíbrio em metas de desempenho, aumentando a pressão e o estresse em torno delas.
As redes sociais são as principais fontes de conteúdos de bem-estar para os participantes do estudo e, embora possam servir como base para informações sobre as práticas de autocuidado e equilíbrio, podem reforçar a comparação.
Segundo a pesquisa, o Instagram (48,1%), o TikTok (38%) e o YouTube (31,1%) são as plataformas que mais reforçam a sensação de obrigação. Entre os mais jovens, o TikTok chega a 45% de influência, enquanto o Instagram é mais forte entre pessoas de 25 a 34 anos (65,4%). Para parte dos entrevistados, a estética supera o cuidado real: 39,9% realizam atividades apenas para postar, e 39,2% dizem dedicar mais atenção à aparência do que ao bem-estar.
O resultado disso é a comparação: 17,8% dizem sempre se comparar com outras pessoas, enquanto 41,9% fazem isso às vezes. Esse hábito é maior entre as mulheres e jovens adultos de 18 a 34 anos. Para essas pessoas, a comparação desperta sentimentos como insegurança (47,6%), ansiedade (42,2%) e angústia (23,7%).
"O estudo evidencia que o autocuidado, que deveria ser um espaço de descanso, saúde e reconexão, muitas vezes tem sido vivido como um desafio, quase uma meta de desempenho, para alcançar uma produtividade ainda maior. Entender essas dinâmicas é fundamental para que marcas e pessoas promovam práticas de bem-estar mais reais, humanas e possíveis, sem transformar o cuidado em mais uma cobrança", afirma Castro.


