76% das mortes por hepatites no Brasil são causadas pelo tipo C da doença

Ministério da Saúde atribui o número elevado ao aumento do número de notificações e disponibilidade de tratamentos

Carla Bridi

Da CNN, em Brasília

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Entre os anos de 2000 e 2018, mais de 670 mil casos de hepatites virais foram notificados no Brasil. No mesmo período, 74,8 mil pessoas morreram das doenças. Entre as mortes confirmadas, 76% correspondem somente a Hepatite C. 

Os números foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Ministério da Saúde e estão disponíveis no novo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde. A Hepatite C é a única que não possui uma vacina, mas de acordo com o Ministério da Saúde, os novos tratamentos antivirais levaram à cura de 95% das pessoas medicadas no país. 

O órgão atribui o número elevado ao aumento do número de notificações e disponibilidade de tratamentos. Em um espectro menor, o número de mortes por Hepatite C no Brasil diminuiu em 25% entre os anos de 2014 e 2018, finalizando o ano de 2018 com 1.491 mortes. Assim como a Hepatite B, a doença tem predomínio nas regiões sul e sudeste. 

De acordo com o Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Correia, o órgão realizou um pregão para aquisição de mais de 50 mil tratamentos para a Hepatite C, e assim considera zerada a fila de tratamentos no país. O abastecimento é suficiente até o final de 2021. 

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Queda nas notificações

O diretor do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle de Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, Gerson Pereira, confirmou que a pandemia do coronavírus levou à redução das notificações de hepatites virais, já que existe uma estimativa anual de 90 mil casos e que os resultados para o primeiro trimestre do ano estão abaixo do normal. “É preciso agir para diagnosticar mais pessoas”, afirmou. 

“O processo de pandemia afastou as pessoas dos postos de saúde”, complementou Correia. “Com medo do vírus, muita gente está sofrendo com os sintomas em casa”. A equipe técnica presente na coletiva informou que terá que correr atrás dos diagnósticos no segundo semestre, a fim de evitar mortes pelas doenças, que na maioria das vezes não apresentam sintomas em estágios iniciais. 

De acordo com Pereira, outro ponto que está sendo trabalhado pelo Ministério da Saúde é o atendimento primário aos pacientes sem cirrose, que antes não eram incluídos no tratamento, mas que a partir de uma portaria assinada em junho deste ano já têm direito à medicação para coibir a evolução do quadro das doenças. 

Outro ponto que merece atenção é o que é chamado de microeliminação, que consiste em fornecer mais estruturas às clínicas de hemodiálise para diagnosticar mais rápido pacientes com hepatites. Pereira afirmou que os pacientes por vezes ficam anos sendo tratados sem saber que possuem hepatite.

O Brasil é signatário do Plano Estrategico Global das Hepatites Virais para eliminaçao até 2030, que tem como meta a redução em 90% dos casos e 65% das mortes até o ano de 2030.

 

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