Acne: saiba como acertar na rotina de cuidados e na escolha de produtos

Soluções pontuais ou excesso de passos podem comprometer o controle de lesões

Gabriela Carvalho, colaboração para a CNN Brasil
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Apesar da acne ser relacionada à puberdade e à fase da adolescência, não é incomum lidar com a existência dela também na fase adulta. As espinhas podem estar relacionadas a problemas de oleosidade, fatores hormonais ou até mesmo hábitos do dia a dia.

Por isso, quando se fala do tratamento da condição, é preciso ir atrás de acompanhamento especializado. De acordo com a dermatologista da ALS Beauty & Personal Care, Jéssica Starek, é preciso avaliar o tipo de lesão.

“Dependendo da intensidade do quadro, definimos qual o grau da acne. Também é relevante considerar fatores associados, como uso de medicamentos, histórico hormonal, idade, sexo e hábitos de vida. A partir daí, o tratamento pode envolver desde cuidados tópicos com gel de limpeza adequado, uso de produtos como o ácido salicílico, peróxido de benzoíla, retinoides e até medicações orais como antibióticos, anticoncepcionais com ação hormonal ou isotretinoína nos casos mais graves”, explica ela.

Segundo a especialista, não existe uma fórmula única: “O melhor tratamento é aquele ajustado ao perfil de cada paciente”.

Além disso, ao se tratar da acne em adultos, Jéssica Starek aponta que as mudanças hormonais podem ser um dos fatores que ocasionam a acne em mulheres. Além disso, é necessário observar a chance de estresse crônico, uso de cosméticos comedogênicos, dieta inadequada e predisposição genética.

Considerando as diversas causas que podem levar à condição, é imprescindível um especialista para compreender o quadro. No entanto, Starek explica o que deve ser considerado no momento de escolher o produto ideal para o tratamento da acne.

De acordo com ela, é preciso optar por produtos com formulação oil-free (sem óleos na composição), não comedogênicos (que não obstruem os poros) e não acnegênicos (que não induzam nem agravam a acne).

Ela pontua que a textura também importa: “cremes muito espessos ou oclusivos podem ser inadequados para pele acneica. Prefira géis, fluidos ou loções leves”. Outro alerta é também para os produtos com fragrâncias e alta concentração de álcool, pois podem irritar a pele e comprometer a barreira cutânea, piorando a inflamação.

Jéssica Starek explica também que uma rotina básica de limpeza envolve quatro etapas: limpeza, hidratação, proteção solar e, à noite, o uso de ativos conforme a necessidade da pele.

“A hidratação é uma etapa que muitos pulam por achar que pele oleosa não precisa ser hidratada. No entanto, a pele acneica por si só tem a barreira comprometida, menos ceramidas e maior perda de água, portanto já é menos hidratada”, afirma ela.

Além disso, a proteção solar é “inegociável”, já que a exposição solar agrava a acne. “O protetor deve ser usado diariamente e ter formulação adequada para pele acneica. Além disso, cuidados simples do dia a dia também fazem a diferença, como higienizar fronhas, pincéis de maquiagem e a tela do celular”, diz Starek.

Apesar da melhora temporária da pele, um erro comum é parar o tratamento. A dermatologista diz que é preciso entender que alguns tipos de acne duram por muitos anos.

“O acompanhamento permite avaliar a resposta ao tratamento, identificar efeitos adversos, ajustar medicações conforme necessário. O acompanhamento permite tratar cicatrizes e manchas de acne, que possuem uma resposta mais efetiva quando realizados precocemente”, finaliza Jéssica Starek.