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    Alimentos anti-inflamatórios podem reduzir risco de doenças cardíacas e derrames

    Folhas, frutas, nozes e peixes gordurosos podem ajudar resposta inflamatória saudável

    Frutas e vegetais
    Frutas e vegetais Foto: Shutterstock

    Sandee LaMotte, da CNN

    Uma variedade de alimentos contendo grandes quantidades de antioxidantes e vitaminas (como folhas verdes, cenouras, tomates, grãos integrais, frutas, nozes, peixes gordurosos e azeite de oliva) podem ajudar numa resposta inflamatória saudável para reduzir o risco cardiovascular.

    Comer carne vermelha e alimentos altamente processados, no entanto, contribui para a inflamação crônica no corpo, aumentando a possibilidade de doenças cardíacas e AVCs, de acordo com um estudo recente publicado no “Journal of the American College of Cardiology”.

    O estudo, que acompanhou quase 166 mil mulheres e 44 mil homens por longos períodos – de 24 a 30 anos –, descobriu que aqueles que comeram níveis mais elevados de carnes vermelhas e processadas tinham um risco 28% maior de acidente vascular cerebral e 46% maior risco de doença cardíaca. Bacon, salsichas e alimentos processados açucarados estão entre os alimentos condenados pelo estudo.

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    Segundo o autor principal da pesquisa, o médico Jun Li, a intenção não era investigar o impacto de grupos de alimentos específicos, mas sim os efeitos de uma combinação de 18 grupos de alimentos “que demonstraram melhor prevenção dos níveis de inflamação associados a dietas”.

    “Alimentos que estão associados a maior inflamação incluem carne vermelha, miúdos, carne processada, grãos refinados, bebidas açucaradas e bebidas carbonatadas de baixa energia (diet)”, detalhou Li, pesquisador nos departamentos de nutrição e epidemiologia da Escola de Saúde Pública T.H. de Harvard.

    “Os alimentos associados a um nível menor de inflamação incluem vegetais de folhas verdes, vegetais amarelos escuros, frutas, grãos integrais, chá, café e vinho”, acrescentou Li.

    Os resultados do estudo permaneceram “robustos”, disse Li, mesmo depois de controlar fatores agregados como hipertensão, obesidade, diabetes e outras condições crônicas de saúde com o uso de multivitaminas e vários medicamentos, como aspirina, antiinflamatórios, anti-hipertensivos e hipolipemiantes.

    “Os efeitos protetores também podem ser usados para outras doenças crônicas altamente prevalentes, nas quais a inflamação crônica desempenha um papel relevante, como diabetes, câncer, depressão, declínio cognitivo e doença de Alzheimer”, escreveu o doutor Ramon Estruch, professor do Departamento de Medicina da Universidade de Barcelona, em um editorial.

    “Ao escolher os alimentos em nossa dieta, devemos ter cuidado com seu potencial pró e antiinflamatório”, acrescentou Estruch.

    Sem causa e efeito

    O estudo não pode estabelecer causa e efeito, ressalvou Megan Meyer, diretora de comunicações científicas do Conselho Internacional de Informação Alimentar, que não esteve envolvida no estudo.

    “A dieta foi avaliada por questionários de frequência alimentar (QFAs)”, observou Meyer. “Uma das limitações dos QFAs é que eles estão associados a um grande viés de memória, o que é uma maneira elegante de dizer que as pessoas têm dificuldade para lembrar o que comeram e que são propensas a subnotificar alimentos ‘ruins’ e relatar excessivamente alimentos ‘bons’”.

    Além disso, embora o estudo tenha sido único ao relacionar questionários de frequência alimentar com marcadores de inflamação, os alimentos recomendados pelo estudo não são muito diferentes daqueles encontrados nas Diretrizes Dietéticas dos EUA, disse o nutricionista Kris Sollid, diretor sênior de comunicações nutricionais da IFIC, que também não esteve envolvido no estudo.

    De acordo com Sollid, as diretrizes dos EUA encorajam “limites para a quantidade de açúcar, gordura saturada e sódio que consumimos” e sugerem alternativas saudáveis.

    “Infelizmente, 90% dos norte-americanos não comem a quantidade recomendada de frutas e vegetais”, disse Sollid. “Além disso, os norte-americanos comem apenas metade da quantidade diária recomendada de fibra, nutriente que tem sido associado a uma série de benefícios potenciais à saúde.”

    Como a comida causa inflamação?

    Embora as formas biológicas exatas pelas quais os alimentos afetam as vias inflamatórias ainda não sejam totalmente compreendidas, os pesquisadores acreditam que os alimentos processados e açucarados da dieta ocidental, junto com poluição, fumaça de cigarro, radiação e medicamentos, podem levar ao aumento da ativação de radicais livres no corpo.

    Os radicais livres são moléculas com elétrons desemparelhados que, na busca por ligação, roubam elétrons de outras células, causando danos celulares que podem contribuir para doenças.

    Infelizmente, a dieta ocidental de hoje está repleta de alimentos excessivamente processados e gordurosos, bebidas açucaradas e carnes vermelhas e processadas que podem causar níveis continuamente elevados de inflamação no corpo.

    Na verdade, a pesquisa relacionou a inflamação crônica ao câncer, cardiopatias, diabetes, artrite, depressão, Alzheimer e muitas outras doenças.

    Comer muitos alimentos não saudáveis e “ultra processados” pode até encurtar sua vida. Um aumento de apenas de 10% no consumo desse tipo de alimentos está associado a um risco 14% maior de morte por todas as causas, segundo estudos.

    A boa notícia é que a pesquisa sugeriu que elementos antiinflamatórios – como vitaminas, carotenoides e flavonoides – em alimentos como frutas e vegetais podem neutralizar os radicais livres e reduzir o estresse no corpo.

    Portanto, concentre-se em verduras com folhas, tomates, frutas, nozes, peixes gordurosos e azeite de oliva (alimentos que podem apoiar uma resposta inflamatória saudável) e evite alimentos inflamatórios, como:

    · Sorvetes, biscoitos, doces, barras de cereais e bolos

    · Tortas pré-preparadas, massas e pizzas

    · Nuggets de aves e peixes

    · Carnes vermelhas e processadas como bacon e salsicha

    · Refrigerantes açucarados e bebidas com sabor de frutas

    · Produtos “saudáveis” e “emagrecedores” que substituem refeições; alimentos em pó ou “fortificados”; além de sopas, macarrão e sobremesas de preparo instantâneo.

    (Texto traduzido, leia o original em inglês)