Por que algumas marcas de alimentos querem mostrar suas pegadas de carbono

A marca de substitutos de carne Quorn lançou rótulos climáticos para 60% do volume total de produtos vendidos no início deste ano

Matt McFarland, do CNN Business, em Orléans, na França
30 de novembro de 2020 às 05:00
Comida na caixa: empresas de alimento mostram suas pegadas de carbono para os consumidores
Foto: Toa Heftiba/Unsplash

Os rótulos dos alimentos já indicam se um alimento é bom ou ruim para você, embora nem sempre deixem claro se ele é bom ou ruim para o planeta. Agora isso começa a mudar, com um número crescente de marcas interessadas em divulgar o baixo impacto provocado por seus produtos no clima.

A empresa sueca de alimentos Felix é um deles. Durante dois dias em outubro, a Felix abriu uma loja pop-up em Estocolmo, onde todos os itens foram avaliados com base em sua pegada de carbono. Quanto maiores forem as emissões, mais caro o produto.

Leia também:
Black Friday: Vendas online crescem 21,2% em relação ao ano passado
O que é cashback e para que serve? Conheça empresas que dão o benefício

A ideia da empresa é facilitar as escolhas por produtos que respeitam o clima com rótulos que informam os clientes sobre a quantidade de dióxido de carbono emitida na preparação desses mantimentos.

Embora a loja temporária tenha sido uma iniciativa curta para aumentar a conscientização, a Felix já lista em seu site as emissões de gases de efeito estufa associadas a todos os seus alimentos, desde o cultivo dos ingredientes até o produto acabado.

Os produtos recebem um rótulo de “baixa pegada de carbono” se suas emissões ficarem abaixo da metade da média para alimentos na Suécia. O gerente de marketing da Felix, Thomas Sjöberg, diz que é importante que a etiqueta possa ser facilmente compreendida.

“Sabemos que os números por si só não fazem sentido para os consumidores”, contou Sjöberg. “Para dar significado aos números, criamos uma escala climática que mostra claramente a média atual e quando a pegada climática é baixa”.

Uma enquete encomendada pelo Carbon Trust, que certifica as pegadas de carbono de vários produtos, descobriu que dois terços dos consumidores na França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos apoiam a rotulagem de carbono em produtos. Nenhum governo ainda tornou a rotulagem uma exigência legal, de acordo com o Carbon Trust.

Contudo, os rótulos climáticos estão começando a decolar. A marca de substitutos de carne Quorn lançou rótulos climáticos para 60% do volume total de produtos vendidos no início deste ano, e a Unilever (UL) recentemente estabeleceu um plano para comunicar a pegada de carbono de cada produto que vende.

Fórmula complexa

Avaliar a verdadeira pegada de carbono de um alimento não é fácil. As marcas estão fazendo isso em parceria com plataformas especializadas que usam ferramentas de cálculo complexas para calcular as emissões em toda a cadeia de produção.

A Oatly calcula a pegada de suas bebidas à base de aveia – analisando desde os processos agrícolas até a chegada às prateleiras do supermercado – com a ajuda da CarbonCloud, uma startup criada a partir de pesquisas na Chalmers University of Technology, na Suécia.

“Desenvolvemos uma plataforma web que permite aos produtores de alimentos realizar avaliações climáticas detalhadas sem a necessidade de compreender a ciência ou a matemática por trás disso”, explicou o CEO da CarbonCloud, David Bryngelsson.

Empresas como o Oatly fornecem informações como a descrição de seus ingredientes, a energia necessária à produção, a quantidade de resíduos resultantes e a forma de envio dos produtos – e a ferramenta da web da CarbonCloud faz o resto.

Além de usar as informações para rotular seus produtos, as empresas podem ver como seu impacto climático mudaria se trocassem de fornecedor ou de energia renovável, por exemplo.

A CarbonCloud, que faz avaliações para centenas de produtos e marcas, como Estrella, Nude e Naturli, diz que o interesse está aumentando rapidamente.

“A indústria está clamando por informações confiáveis e altamente detalhadas com o mínimo de trabalho possível", diz Bryngelsson.

No momento, a indústria de alimentos não tem uma abordagem padronizada para calcular os números de carbono, mas Sjöberg diz que o mais importante é dar aos consumidores as informações disponíveis atualmente.

“No futuro, esperamos ver um terreno comum sobre como calculamos e rotulamos os produtos”, afirmou. “Mas, por enquanto, o clima não pode esperar”.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês)