Antecipar vacinação nem sempre é sinal de eficiência, alerta diretor da SBIm
O que parece boa notícia: ‘Já estamos vacinando abaixo de 60’. Às vezes é só um reflexo de doses não utilizadas nas populações anteriores, diz Renato Kfouri
Algumas cidades do Brasil começaram a vacinar, neste fim de semana (1º e 2 de maio), pessoas das faixas etárias com 60 anos ou menos. A notícia parece boa, mas o infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, faz um alerta: “O que parece uma boa notícia: ‘Ah, já estamos vacinando abaixo de 60’, às vezes é só um reflexo de doses não utilizadas nas populações anteriores."
Em entrevista à CNN, o diretor da SBIm disse que a conscientização dos brasileiros em relação a importância da vacina ainda é um desafio. Deste modo, uma parcela considerável da população, que faz parte dos grupos prioritários, ainda não compareceu aos centros de imunização.
“Um desafio é o convencimento da população sobre a importância da vacinação. Muitos municípios já estão vacinando mais rápido do que o programado inicialmente porque a cobertura vacinal não foi atingida naquela população acima de 65, 70 e de 80 anos, quer seja com a primeira, quer seja com a segunda dose. São vacinas que vão se acumulando destes indivíduos não adequadamente vacinados, vão se acumulando e permitindo que a gente avance."
Especialistas têm falado a respeito do bom exemplo e incentivo que autoridades devem dar à sociedade. Sobre isso, o infectologista analisou a mudança de discurso do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
“O discurso dele [Marcelo Queiroga] na Organização Mundial da Saúde se solidarizando com as vítimas, dando importância às vacinas e às medidas de distanciamento e uso de máscara são mudanças, pelo menos no discurso do ministro. Postura muito importante a despeito das aglomerações e do mau exemplo que continua sendo dado por muito políticos”, diz o médico.