Apesar da falta de dados, especialistas defendem que gestantes sejam vacinadas

Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia diz que 'não há riscos relevantes para a vacinação de mulheres grávidas'

Mulher grávida em hospital
Mulher grávida em hospital Foto: Shutterstock

Luana Franzão*,

da CNN, em São Paulo

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Com a chegada das vacinas, muitas dúvidas foram levantadas sobre os grupos que deveriam se imunizar ou não contra a Covid-19. Especialistas, em geral, concordam que qualquer grupo vulnerável deve ser vacinado com prioridade. É o caso também das gestantes, de acordo com a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo).

Segundo a federação, apesar de os estudos das farmacêuticas sobre os efeitos das vacinas neste grupo ainda serem inconclusivos, gestantes devem sim, procurar a imunização e o mais rápido possível, quando a vacina estiver disponível onde vivem.

O professor de saúde sexual, reprodutiva e genética populacional do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e presidente do Instituto Ideia Fértil de Saúde Reprodutiva, Caio Parente Barbosa, explica que os efeitos da Covid-19 em si são mais graves para mulheres grávidas que qualquer efeito colateral que a vacina possa provocar — que são raros.

“A própria infecção pelo coronavírus é muito mais grave que eventuais efeitos colaterais da vacina, então não existe nenhum motivo para que as gestantes não possam tomá-la. A conclusão desse documento que a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia colocou é que tanto as grávidas, quanto as mulheres que estão tentando engravidar e as que já estão amamentando, devem fazer o uso da vacina. De preferência, o mais rápido possível”.

Barbosa ainda complementa que, ao contrário do que se pode acreditar, a vacinação de mulheres em gravidez de risco é ainda mais urgente, pois as consequências da Covid-19 nessas gestações podem ser mais delicadas.

Testes

Frasco com Coronavac, vacina contra Covid-19, em São Paulo
Frasco com Coronavac, vacina contra Covid-19, em São Paulo
Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo (2.mar.2021)

Nenhuma das vacinas aprovadas no Brasil no momento — Coronavac, fabricada pela Sinovac, e as fabricadas por AstraZeneca e Pfizer/BioNTech — tiveram estudo de doses aplicadas em gestantes.

A parceria entre Pfizer e BioNTech anunciou apenas no último mês de fevereiro que começará a realizar testes em gestantes com mais de 18 anos de idade.

A única forma de as vacinas terem sido aplicadas em gestantes durante as fases de testes teria sido se alguma das voluntárias da pesquisa tivesse engravidado durante o processo, mas isso não aconteceu nos testes dos imunizantes contra a Covid-19 – principalmente porque os eles priorizaram idosos, os mais afetados pelo coronavírus.

O especialista da FMABC afirma que, no momento, não há contraindicações à vacinação de mulheres em gestação ou amamentando, pois a técnica utilizada pelas vacinas já é conhecida, estudada e não apresenta efeitos adversos.

Embora não tenhamos nenhum estudo clínico randomizado, como são vacinas com tecnologias já consagradas, não existe nenhum tipo de pensamento no sentido de que, eventualmente, não possam ser usadas na gestação“, explicou Barbosa.

Vacinação em lactantes

A vacinação em mulheres que estão amamentando também é recomendada pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia.

De acordo com a entidade, a imunização contra a Covid-19 é benéfica tanto para mãe, quando para o filho em processo de amamentação.

“A amamentação traz vários benefícios para mãe e para o recém-nascido. As vacinas contra a Covid-19 mostraram possuir mínimo ou nenhum risco potencial para o bebê que recebe o leite. Segundo vacinas administradas previamente, há potencial de que o recém-nascido se beneficie diretamente da imunoglobulina A estimulada pela vacina, que é comprovadamente transmitida pelo leite materno”, disse a FIGO em nota, esclarecendo que o bebê também pode ser beneficiado pela imunização.

 

(*Supervisão de Sinara Peixoto)

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