Apoio de familiares e amigos a pessoas LGBTQIAP+ pode evitar problemas psicológicos

Internautas relatam dificuldade de aceitação no círculo social mesmo uma década após se assumirem e revelaram não estarem completamente recuperados dos traumas

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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Na edição desta sexta-feira (28) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes conversou sobre a importância do apoio de familiares e amigos para a saúde mental – principalmente entre pessoas LGBTQIAP+.

Nesta semana, duas notícias relacionadas ao tema percorreram o mundo: o papa Francisco, líder da Igreja Católica, declarou na quarta-feira (26) que pais de pessoas homossexuais não devem condenar os filhos, e sim apoiá-los. Já na França, parlamentares aprovaram uma lei na terça (25) que criminaliza a “terapia de reorientação sexual”, conhecida popularmente como “cura gay”.

Segundo Fernando Gomes, a necessidade de aceitação e amor entre pessoas próximas faz parte do processo empático humano. A percepção de falta de apoio ou de exclusão, explicou o médico, é capaz de gerar descrédito e abalar a autoestima do indivíduo. “Esse é um tema delicado, mas extremamente importante de falarmos, principalmente hoje em dia, quando temos tanto conhecimento de como funciona a mente humana.”

“Entendendo que a família acaba sendo, na verdade, a célula mater de toda a sociedade, é ali dentro que esse tipo de problema tem a melhor forma de ser solucionado”, completou.

O momento de se assumir para a família também pode carregar uma série de problemas emocionais, tanto para quem declara quanto para quem recebe a notícia. Internautas que participaram do quadro através das redes sociais relataram ter dificuldades no relacionamento com a família mesmo após mais de uma década, e revelaram ainda não estarem completamente recuperados dos traumas.

“Conforme a gente passa o tempo podendo entender isso com uma luz diferente, trazendo isso para a normalidade, tudo fica muito mais fácil de ser levado em consideração”, afirmou Gomes.

“Temos traumas que são impossíveis de serem evitados, mas outros, através do conhecimento e principalmente do amor, podem ser evitados. Não significa que a situação seja fácil, mas o caminho para resolver é através da empatia e do amor.”

Fernando Gomes explicou que a situação pode desencadear uma série de problemas psicológicos, como ansiedade, depressão, estresse e distúrbios alimentares – que podem ser tratados com um profissional especializado.

O médico acredita que, no caso de pessoas LGBTQIAP+ que buscam a aceitação alheia, o grupo social ao redor precisa entender a solução. “O resultado disso, para tudo ficar bem, é através de um processo natural que o ser humano é capaz de desenvolver, principalmente se a pessoa tiver o coração aberto, chamado de ‘perdão’. Estamos falando de amor”, finalizou.

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