"As flexibilizações não podem ser vistas como um salvo-conduto", diz médica
Infectologista Keilla Freitas explica que hospitais de São Paulo começam a sentir o reflexo da fase emergencial e, por isso, a ocupação de UTI caiu
O Brasil registrou 3.076 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas. Ao todo, 389.492 pessoas já morreram vítimas da doença no país. Os dados são do Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Após mais de um ano de pandemia e a adoção de medidas mais restritivas nas últimas semanas, os indicadores começam a apresentar melhora. Com isso, diversas partes do país estão flexibilizando as regras.
A infectologista do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, Keilla Freitas, ressalta, no entanto, que o alívio das normas de segurança não podem ser interpretados como um relaxamento.
“Nós colocamos o rosto um pouquinho para fora da água. Se relaxarmos, podemos entrar numa situação mais difícil depois. As medidas de flexibilização não podem ser vistas e sentidas pela população como um salvo-conduto, mesmo para quem já foi vacinado.”
Keilla afirma que a pequena melhora na taxa de ocupação de leitos de UTI é um reflexo da fase emergencial, de normas mais acirradas no estado de São Paulo e que a resposta para a abertura de comércio, parques e restaurantes será sentida daqui a duas semanas.
“Existe um delay de qualquer medida - seja de flexibilização ou de restrição - de, pelo menos, duas semanas, para se entender o que acontece dentro dos hospitais. Só agora estamos começando a sentir as medidas restritivas da fase roxa. Essa pequena abertura, então, será refletida daqui a duas semanas”.

A infectologista chama a atenção para o número de novos casos de infectados pela Covid-19 que permanece muito alto no Brasil. "É mais importante pensar no número de novos casos diagnosticados do que o próprio número de internação, já que novas infecções antecipam o estado dos hospitais daqui a algum tempo".
No caso das internações por Covid-19, há uma lentidão na rotatividade dos pacientes. Aqueles que, porventura, necessitam de intubação, permanecem muito tempo em um leito, e dificilmente abre-se uma vaga.
"Se, de uma hora para outra, eu começo a ter um aumento muito grande na velocidade de novas internações, eu rapidamente ocupo aqueles leitos. Por maior que seja o meu excedente, ele rapidamente é preenchido"