“As vagas que estão surgindo no MS são em decorrência de óbitos”, diz secretário

Segundo dados da Agência CNN, o estado possui a maior lotação de leitos de UTI em hospitais públicos do país

Por José Brito, da CNN, em São Paulo
Compartilhar matéria

Com falta de espaço para criar novos leitos de Covid-19 e também de medicamentos para intubação de pacientes graves da doença, o Mato Grosso do Sul vive o pior momento, desde o começo da pandemia. O principal hospital da capital só tem estoque de bloqueadores neuromusculares e sedativos para um dia.

Segundo dados da Agência CNN, nesta quarta-feira (14), o estado da região centro-oeste é líder nacional em lotação de leitos de UTI em hospitais públicos, com 100% de ocupação da UTI e mais 3,9%, desse total, com novos leitos abertos de forma emergencial. Em seguida, vem o estado de Rondônia, com 100%, e o vizinho Mato Grosso, com 97,56%. A ocupação dos leitos de UTI em hospitais privados de Mato Grosso do Sul também está perto do limite com 95%. 

Em entrevista à CNN, o secretário estadual de saúde do Mato Grosso do Sul e médico, Geraldo Resende, revela que há poucos casos de alta hospitalar e que estão improvisando leitos dentro de centros cirúrgicos e alas de urgência. 

Pessoas aguardam vagas para leitos de UTI em São Paulo
Com a taxa de ocupação dos leitos de UTI em São Paulo em 90%, diversas pessoas aguardam uma vaga (20.mar.2021)
Foto: Reprodução / CNN

 

“Temos remanejado pacientes de regiões distintas do estado e, infelizmente, é duro dizer isso, mas as vagas que estão surgindo são em decorrência de óbitos que estão acontecendo em grande quantidade. E com essas vagas é que estamos suprindo a lista de espera”, diz.

Nas últimas 24 horas, de acordo com o boletim epidemiológico da SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde), foram registradas 65 novas vítimas do novo coronavírus e 1.338 novos casos. Ao todo, são 5.005 mortos e 232.849 infectados pela doença no estado.

Segundo o secretário, em média, os hospitais públicos estão com estoque de kit intubação para apenas dois dias, em todo o estado. E a situação é ainda mais crítica na principal referência para o combate a Covid-19, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul.

“Nós temos lá, hoje, 139 pacientes no leito de UTI e todos eles intubados. Nós só temos medicamentos do kit intubação para um dia. É o medicamento atracúrio, rocurônio e também sedativos como o midazolam. Tivemos que mandar, ainda na manhã de hoje, um avião para São Paulo para buscar compras que nós fizemos, emergencialmente, para suprir, pelo menos, nas próximas horas o quantitativo de medicamento que precisamos”, conta.

No dia de ontem (13), o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e o secretário se reuniram, em Brasília, com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mas ouviram que também falta ao Governo Federal acesso a esses medicamentos e que a única solução são essas compras que demandam alguns dias, por conta da capacidade das indústrias farmacêuticas. 

“Eu acho muito angustiante e deixa todos nós em uma situação de desconforto de grau elevadíssimo. Estamos vendo pessoas muito próximas irem a óbito. Estamos fazendo remanejamento de emprestar medicamentos de um hospital para o outro. 

O Ministério da Saúde afirmou que aguarda para amanhã (15/4) a chegada de 2,3 milhões de medicamentos para intubação, doados por um grupo de empresas formado pela Petrobras, Vale, Engie, Itaú Unibanco, Klabin e Raízen. Os medicamentos saíram da China nesta quarta-feira. Ainda segundo a pasta, em nota, após chegarem ao Brasil os insumos "serão distribuídos imediatamente aos estados com estoques críticos". 

*Com informações de Ludmila Candal, Mariana Cattacci, Paloma Souza e Vital Neto.