Associação médica prepara força-tarefa para Manaus e cidades com alta de Covid

Em uma estimativa realista, a AMB acredita que os médicos estarão aptos a atuar em duas semanas

Paciente é transferido de ambulância para hospital em Manaus
Paciente é transferido de ambulância para hospital em Manaus Foto: Bruno Kelly - 14.jan.2021/Reuters

Iuri Pittada CNN

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Inspirada no movimento de médicos que viajaram ao Haiti para uma ação humanitária após o terremoto de 2010, a Associação Médica Brasileira (AMB) prepara uma força-tarefa para capacitar profissionais a atuarem em cidades com alta incidência de Covid-19 e infraestrutura hospitalar e ambulatorial pressionada pelo grande volume de casos.

Mais de 250 médicos de todo o país já se candidataram e vão passar por triagem e capacitação para serem enviados a locais como Manaus, município cujo sistema de saúde enfrenta a mais grave situação relacionada à pandemia do coronavírus.

“Vamos dar treinamento para médicos que não atuam em suas cidades de origem com casos moderados a graves de Covid, principalmente relacionados à medicina intensiva e cuidados respiratórios para esses doentes que exigem maior atenção”, explica o recém-empossado presidente da AMB, César Eduardo Fernandes – o ginecologista e obstetra assumiu o cargo em 8 de janeiro.

Em uma estimativa realista, a AMB acredita que os médicos estarão aptos a atuar em duas semanas, após passarem por triagem e treinamento teórico e prático para o atendimento especializado em Covid.

“Sabemos que o ideal seria essa mobilização ter começado ainda no ano passado, mas o importante é começar e deixar essa força-tarefa à disposição de outras localidades. Até porque, lamentavelmente, é provável que outras cidades enfrentem as mesmas dificuldades que Manaus está vivendo hoje e que tenhamos um 2021 ainda bastante difícil”, observa Fernandes.

Toda a preparação desses integrantes da força-tarefa será baseada em conhecimento científico e técnico disponível sobre a Covid. Em seus primeiros posicionamentos como presidente da AMB, Fernandes foi taxativo ao apontar falta de evidências no que ficou conhecido como “tratamento precoce”, sob administração de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina.

“Não se trata de um posicionamento a favor ou contra o governo ou de criar conflitos, mas de uma questão de correção: não existe tratamento precoce para Covid”, afirmou.

A AMB reúne 54 sociedades brasileiras de especialidades médicas, incluindo as mais demandadas desde o início da pandemia, como as de infectologia e de imunizações, entre outras. Em abril de 2020, a gestão anterior, comandada por Lincoln Ferreira, foi responsável pela mobilização da classe médica que levou à indicação de Nelson Teich ao Ministério da Saúde, após a saída do cargo de Luiz Henrique Mandetta.

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