Bolsonaro publica vídeo tomando hidroxicloroquina e se diz melhor da Covid-19

Presidente faz divulgação positiva da medicação, apesar de admitir que esta não tem eficácia comprovada para a doença

Guilherme Venaglia, da CNN em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgou um vídeo na tarde desta terça-feira (7) em que se medica com a hidroxicloroquina. Na gravação de 46 segundos, publicada nas redes sociais, o presidente diz que é a terceira dose do medicamento que está tomando, após ter sentido sintomas para a Covid-19.

“Estou me sentindo muito bem. Estava mais ou menos domingo, mal na segunda-feira e hoje, terça, estou muito melhor do que sábado. Então, com toda a certeza, está dando certo”, disse.

O presidente faz a ressalva de que o medicamento não tem a eficácia comprovada para a doença. “Não tem a eficácia comprovada, mas é mais uma pessoa que está dando certo. Eu confio na hidroxicloroquina. E você?”, conclui Bolsonaro.

Nesta terça, o presidente anunciou que testou positivo para o novo coronavírus nesta terça-feira, após sentir os sintomas no final de semana e se submeter a teste. Bolsonaro vai se manter em isolamento nos próximos dias, despachando com ministros por videoconferência.

Estudada desde o início da pandemia, a possível eficácia da hidroxicloroquina para a Covid-19 foi tema de diversos estudos realizados até o momento, com resultados diferentes. No sábado (4), a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu seus estudos após verificar resultados com “pouca ou nenhuma redução na mortalidade”.

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Com diagnóstico de Bolsonaro, cloroquina ficará ainda mais polarizada, diz Teich

No Brasil, a aplicação do medicamento resultou na saída de um ministro da Saúde. O oncologista Nelson Teich pediu demissão do cargo após menos de um mês depois de recusar a assinar o protocolo adotado no país, recomendando a medicação desde o início da manifestação dos sintomas da Covid-19. 

Em entrevista à CNN nesta terça-feira, Teich manifestou a preocupação de que o diagnóstico positivo do presidente acabe por “polarizar muito mais” a discussão médica sobre a substância.

“O grande problema é que o fato de usar o remédio não significa que foi ele que te curou. Para a pessoa que não tem um lado mais matemático, mais técnico, isso é difícil de entender. As pessoas falam que usaram o remédio e ficaram curadas, que prescreveram o remédio e os pacientes ficaram curados. Mas uma coisa pode não ter nada a ver com a outra”, disse.
 

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