Bolsonaro diz que compra de seringas está suspensa por aumento de preços

No Facebook, presidente brasileiro diz que estados e municípios brasileiros têm estoques de seringas para que seja possível iniciar a imunização contra Covid-19

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quarta-feira (6) que a compra de seringas pelo Ministério da Saúde está suspensa devido ao aumento de preços do insumo causada pela alta demanda após o início da vacinação contra o novo coronavírus.

“Como houve interesse do Ministério da Saúde em adquirir seringas para seu estoque regulador, os preços dispararam e o MS suspendeu a compra até que os preços voltem à normalidade”, escreveu o presidente, em publicação em sua conta no Facebook.

Ainda de acordo com Bolsonaro, os estados e municípios brasileiros têm estoques de seringa para que seja possível iniciar a imunização contra Covid-19 “já que a quantidade de vacinas num primeiro momento não é grande”.

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O presidente disse ainda que cerca de 44 países já iniciaram a imunização contra a doença, mas que muitos deles só receberam 10 mil doses da vacina da Pfizer/BioNtech. “Daí a falácia da mídia  como se estivessem vacinando toda a população”, escreveu.

A mensagem foi acompanhada de uma lista de alguns desses países que já iniciaram a vacinação e a porcentagem de sua população que já foi imunizada.

Publicação do presidente Bolsonaro no Facebook sobre vacinação contra Covid-19
Publicação do presidente Jair Bolsonaro no Facebook sobre países que já iniciaram vacinação contra a Covid-19
Foto: Reprodução/jairmessias.bolsonaro/Facebook

Bolsonaro não citou, porém, a fonte dos dados que compartilhou. A CNN fez uma levantamento dos países que mais vacinaram, proporcionalmente, a população. Israel, com 16,5% de seus moradores já vacinados lidera o ranking.

Polêmica envolvendo o insumo

No fim de dezembro, fracassou a primeira tentativa do Ministério da Saúde de comprar seringas e agulhas para a vacinação no Brasil.

Das 331 milhões de unidades que a pasta pretendia adquirir, só conseguiu oferta para 7,9 milhões no pregão eletrônico. O número corresponde a cerca de 2,4% do total de unidades que a pasta desejava comprar.

Dias depois, o Ministério afirmou que pediu para interromper provisoriamente a exportação de seringas e agulhas, solicitação que foi acatada pelo Ministério da Economia.

“Desta forma, a pasta garantirá os insumos necessários para, somando às necessidades habituais do SUS, viabilizar a ampliação da oferta de seringas e agulhas para atender ao Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19”, afirmou a Saúde.

Além disso, a pasta também pediu ao Ministério da Economia que conceda isenção de impostos para importação de agulhas e seringas.

“Considerando as ações essenciais ao combate à pandemia da Covid-19 no Brasil, solicito análise acerca da possibilidade de conceder isenção de impostos para as importações de agulhas e seringas, considerando tal ação fazer parte das medidas necessárias à fase de vacinação contra o coronavírus”, diz o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco Filho, no ofício, ao qual a CNN teve acesso.

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