Boris Casoy: “Estamos na mais perfeita confusão” com a pandemia de Covid-19

No quadro Liberdade de Opinião desta terça-feira (11), comentarista Boris Casoy discute sobre ações do Ministério da Saúde no combate ao coronavírus

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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No quadro Liberdade de Opinião desta terça-feira (11), o jornalista Boris Casoy falou sobre a redução do período de quarentena para pacientes assintomáticos da Covid-19, após o Ministério da Saúde anunciar que o isolamento passou de dez para sete dias em casos leves e moderados da doença.

As recomendações da pasta também incluem o uso de máscaras apertadas, como a N95 e a PFF2, evitar aglomerações e não viajar até o décimo dia após o início dos sintomas. A mudança de orientação foi baseada nas experiências feitas nos Estados Unidos e também no Reino Unido, sob a justificativa de diminuir os impactos no setor de serviços.

Para Boris Casoy, a decisão do Ministério é mais um caso de “tentativa e erro”, assim como o visto em outros países pelo mundo. Ele ressaltou que, ao longo da pandemia, já foram registrados avanços, recuos e flexibilizações a depender do momento do vírus. “Não se conhece o vírus da Covid-19 em nenhuma de suas formas, porque nunca houve Covid antes. Existem suposições que nem sempre acabam concordando com a realidade.”

“Para defender esse quadro, o ministro [Marcelo Queiroga] tem que falar o que falou, tem que dizer que tudo vai dar certo. Eu diria uma frase do [humorista e apresentador] Chacrinha: estamos na mais perfeita confusão. Enquanto há flexibilização do governo federal, governadores estão preocupados com o aumento de internações nos hospitais”, disse.

Casoy destacou que o número de mortes por Covid no estado de São Paulo – assim como o de internações em UTIs – está longe do “morticídio” visto anteriormente, mas que os dados de ocupação em hospitais continua sendo grande. Segundo o jornalista, o Ministério da Saúde vem convergindo em decisões técnicas e políticas para agradar a população “impaciente” com os dois anos de pandemia.

No setor econômico, Casoy apresentou preocupação pelo ritmo lento do setor que, na sua visão, funciona como “vasos comunicantes”, mas defendeu que todas as decisões que não funcionem para o controle da doença podem ser revistas. “Não vejo um caminho claro e nem sempre o que acontece no exterior pode ser repetido nesta exatidão que se tenta aqui no Brasil.”

“É necessário adaptar a algumas condições peculiares do Brasil, e não transferir o que está acontecendo nos outros países, a não ser os tratamentos. O comportamento do vírus nem sempre é o mesmo”, ressaltou.

O jornalista também elogiou o patamar da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, “apesar de interferências” que ele aponta como sendo chefiadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Citando a imprensa internacional, Casoy afirma ter visto uma série de elogios feitos por especialistas à rapidez da imunização no país. “Nós temos um preparo, uma infraestrutura modelar para a aplicação de vacinas. Nós conseguimos, por exemplo, erradicar a poliomielite”, recordou.

“Comparando com o exterior, o sistema de vacinação no Brasil vai muito bem. E é importante saber disso, pois é a única coisa que temos certeza que pode ajudar na redução, no combate à Covid-19 em todos os seus tipos”, finalizou.

Convite a Geraldo Alckmin

O presidente do Solidariedade, o deputado Paulinho da Força, se reuniu ontem com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin para reforçar o convite de filiação ao partido e uma eventual indicação para concorrer ao lado do ex-presidente Lula como vice nas eleições de 2022. Alckmin deixou o PSDB no fim do ano passado após três décadas e mantém conversas com uma série de legendas para definir seu destino.

Papa Francisco incentiva vacinação

Durante encontro com diplomatas de quase duzentos países, o Papa Francisco afirmou apoiar campanhas de vacinação contra a Covid-19, classificando os cuidados com a saúde como “obrigação moral”. O pontífice também condenou a “desinformação ideológica sem base” e ressaltou a importância de uma distribuição mais igualitária dos imunizantes.

Reajuste salarial para policiais

O reajuste salarial previsto pelo presidente Jair Bolsonaro para agentes federais de segurança pode não sair do papel. Bolsonaro tem sido aconselhado a desistir da proposta para evitar uma paralisação geral do funcionalismo público, que também pede uma readequação da remuneração.

O Liberdade de Opinião teve a participação de Boris Casoy e Fernando Molica. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

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