Butantan: Coronavac oferece resposta imune superior em crianças que em adultos

Em entrevista à CNN, a diretora de assuntos regulatórios e qualidade do Instituto Butantan, Patrícia Meneguello, afirmou que os resultados encontrados até o momento nos testes da Coronavac realizados em crianças são positivos

Luana Franzãoda CNN*Produzido por Layane Serranoda CNN

São Paulo

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O Instituto Butantan pediu a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ter a Coronavac utilizada na imunização de crianças entre 3 e 17 anos contra a Covid-19, no último dia 15. A agência cobrou mais dados na quarta-feira (22), afirmando que os fornecidos não são o suficiente para o aval.

Em entrevista à CNN, a diretora de assuntos regulatórios e qualidade do Instituto Butantan, Patrícia Meneguello, afirmou que os resultados encontrados até o momento nos testes da Coronavac realizados em crianças são positivos – ao ser testada em diferentes faixas etárias, a vacina apresentou resposta imunológica mais alta em crianças do que em adultos e idosos.

“Reparamos que a imugenicidade em crianças é superior à que temos em adultos. Com isso, a gente consegue fazer uma extrapolação e afirmar que a Coronavac também tem um resultado positivo de eficácia em crianças”, explicou a diretora.

Ela afirmou que o Instituto tinha expectativas de que os dados fornecidos seriam suficientes para uma aprovação da Anvisa, mas que analisa as novas demandas da agência para traçar a estratégia de obtenção dos dados detalhados. “A gente foi surpreendido com essa nova solicitação (…) estamos avaliando a documentação enviada pela Anvisa, o que ela está solicitando, para então montar uma estratégia de como vamos conseguir esclarecer frente aos dados que já temos, ou então gerar novos dados”, disse.

Caso a permissão seja concedida, Meneguello sugeriu que a aplicação na faixa etária deverá começar rapidamente. A dose aplicada nas crianças é a mesma que em adultos, sem necessidade de um imunizante diferente ou adaptado. Esse fato agilizaria o processo, pois o Butantan possui um remanescente de 12 milhões de doses, segundo a diretora: “Se realmente for aprovada, e precisarmos de uma quantidade maior, facilmente conseguimos trazer o IFA e envasar [no Instituto Butantan]”.

Coronavac e variante Ômicron

De acordo com Patrícia Meneguello, a Sinovac, farmacêutica chinesa desenvolvedora da Coronavac, já iniciou os testes do imunizante em relação à nova variante do coronavírus, a Ômicron.

Ela afirmou que os resultados preliminares são positivos, mas ainda não há dados conclusivos.

*Sob supervisão

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