Butanvac levará dobro do tempo para ficar pronta, diz ex-presidente da Anvisa

Para Gonzalo Vecina, processo de testes e aprovação não será tão rápido quanto Instituto Butantan espera

Produzido por Renata Souza, da CNN, em São Paulo

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A previsão do Instituto Butantan de disponibilizar 40 milhões de doses da Butanvac em julho é otimista e tem grandes chances de não se concretizar, analisa o ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, em entrevista à CNN na noite desta sexta-feira (26).

“Não acredito que vá ser feita em 3 meses. Em uma visão um pouco mais natural, as fases 1, 2 e 3 de qualquer vacina rapidamente realizadas são 6 meses, acho que vai demorar o dobro do que ele estão achando. Há grande vantagem nessa vacina: a fábrica já existe, só tem que terminar de fazer a vacina da gripe e fazer essa”, explica.

Independente disso, é correto começar a produção enquanto os testes serão realizados, avalia. “O Butantan pode demorar 6 meses para os testes clínicos, mas pode começar a produzir a vacina já. Se der errado, joga no lixo a produção. É dinheiro, mas é melhor chegar em agosto, setembro com uma produção já pronta do que começar a produzir”. 

Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa (26.mar.2021)
Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa (26.mar.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Sobre a Versamune, vacina anunciada pelo governo federal poucas horas após, Vecina avalia ser cedo para analisar. “A vacina federal não sei de onde surgiu, acho que foi uma resposta política. Não tem todo esse background de coisas já feitas que a do Butantan tem. E tem uma desvantagem matadora: não tem fábrica”.

No fim, o importante é imunizar a população o mais rápido possível, diz o ex-presidente da Anvisa. “A vacina que vai chegar na frente é aquela que preencher todos os requisitos e garantir que é segura e eficaz”. 

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