Caneta emagrecedora é indicada por 87% dos médicos para tratar obesidade
Relatório da Brace Pharma revela medicamentos à base de GLP-1 viraram a principal escolha de profissionais e pacientes acima do peso

Medicamentos à base de GLP-1, como as chamadas “canetinhas emagrecedoras”, viraram a principal escolha para tratar a obesidade e o sobrepeso. A constatação está presente na análise feita pela Brace Pharma, que reuniu dados de diversas pesquisas, divulgada nesta quinta-feira (15).
Segundo o levantamento, 9 em cada 10 dos médicos indicam as substâncias para pacientes acima do peso, cerca de 87%, e outros 15% para diabéticos tipo 2. Além disso, 68% dos pacientes dizem que pretendem começar a usar os medicamentos, enquanto 8% dizem que já usaram ou mantêm o uso.
Quando olhado por recortes de especialistas, 95% dos endocrinologistas, cardiologistas e clínicos gerais citam a classe GLP-1 como primeira opção. As três especialidades aparecem somadas no estudo.
Para Marcelo Neri, diretor executivo responsável pelas empresas de prescrição do Grupo EMS (Brace, Ofta e USK), o resultado confirma a consolidação dessa classe na prática dos especialistas.
O especialista sempre avaliou o quadro metabólico de forma ampla. A diferença é que agora dispõe de uma opção terapêutica capaz de atuar de maneira integrada sobre vários desses fatores, respeitando as necessidades de cada paciente.
Ao todo, foram entrevistados 200 médicos e 1.000 pacientes de 18 anos ou mais pelo Ipsos. O estudo complementa o relatório do Brace Pharma.
Popularização das canetas
No Brasil, há 21 medicamentos injetáveis e orais à base de GLP-1 registrados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O número representa um leque de possibilidades desde que o Mounjaro e o Ozempic, os principais medicamentos dessa classe, chegaram ao Brasil.
O aumento também é visto nas pesquisas. Nas redes, as menções às canetas cresceram 86% em apenas seis meses.
A comparação foi feita entre o primeiro semestre de 2026 e o segundo semestre de 2025, e analisa conversas públicas em português coletadas pela ferramenta Brandwatch.
Veja o índice:
Comentários positivos e negativos também variam.
Popularização é grande, mas custo também é alto
Apesar de estar muito popularizado, o custo das canetas emagrecedoras ainda é um fator determinante para a adesão ao tratamento.
Cerca de 65% dos pacientes não conseguem manter a dosagem ou continuar o tratamento por não poderem comprar o medicamento. Apenas 28% das pessoas aptas ao tratamento conseguem pagar para continuar o uso, na avaliação dos médicos.
Canetas emagrecedoras ilegais
Pelo alto custo, muitos pacientes podem recorrer ao uso de medicamentos ilegais. Como visto no relatório, cerca de 91,4% das menções sobre canetas emagrecedoras incluem compra sem receita e conversas sobre conseguir acesso ao remédio.
Em entrevista à CNN, a endocrinologista Deborah Beranger alerta que o uso intermitente e sem acompanhamento médico pode resultar no chamado “efeito sanfona”, em que o paciente alterna entre perda e ganho de peso. “Para o corpo, é muito pior você ficar reganhando do que você não perder peso”, explica.
Entre os efeitos colaterais mais comuns estão vômitos, diarreia e constipação. Casos mais graves já foram registrados, como obstrução intestinal e laceração de esôfago por vômito.
A Anvisa também não recomenda o uso de medicamentos ilegais, pois os produtos não foram avaliados pela agência e podem apresentar riscos à saúde. O comércio ilegal de medicamentos injetáveis é crime previsto no Código Penal brasileiro.


