Casos de doenças respiratórias em crianças aumentam mais de 300%

Boletim Infogripe, da Fiocruz, destaca a alta expressiva da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre os menores de 5 a 11 anos

Danilo Henriques/Secom/PMU

Iuri Corsinida CNN

Ouvir notícia

Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave entre as crianças brasileiras dispararam nas últimas semanas. Segundo o Boletim InfoGripe da Fiocruz, o crescimento chegou aos 309% entre o início de fevereiro e o dia 26 de março, atingindo os menores de 5 a 11 anos.

Entre os mais novos, de 0 a 4 anos, o aumento foi de 110% no período de 20 a 26 de março deste ano.

A Fiocruz destacou que, entre as crianças de até 4 anos, os dados laboratoriais preliminares indicam um expressivo crescimento de casos associados ao vírus sincicial respiratório (VSR), e não à Covid-19.

Em relação às crianças de 5 a 11 anos, a instituição apontou a queda nos casos de Covid em fevereiro e aumento na identificação de outros vírus respiratórios em março.

Para o pesquisador e coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave coincide com o início do ano letivo de forma presencial.

O pesquisador voltou a afirmar que é muito importante o uso de máscaras em determinados locais, para frear esse aumento de casos.

 

“Por isso temos insistido no uso de máscaras, principalmente nos transportes públicos, no ambiente escolar e em locais com muita aglomeração. Isso fará com que esses vírus respiratórios que estão circulando tenham mais dificuldade de chegar nas crianças. É importante ter esse cuidado para que a gente consiga alterar esse cenário”, ressaltou.

Marcelo alertou também que o país está entrando em um período em que o clima vai favorecer a circulação desses vírus, com a proximidade da chegada de temperaturas mais frias, que normalmente já facilitam a disseminação destas doenças respiratórias.

Quanto à população adulta, o boletim indica que houve uma desaceleração gradual nas taxas de queda de casos de SRAG, entrando em um patamar de estabilidade. A exceção é a população acima de 70 anos, que continua apresentando queda semanal expressiva.

A razão para isso, diz a Fiocruz, está relacionada ao fato desta faixa etária ter “sofrido maior impacto durante o pico do início do ano”.

Ao contrário do que foi observado entre crianças de 0 a 11 anos, os dados de síndromes respiratórias agudas graves em adultos indicam um “amplo predomínio” do vírus da Covid-19 relacionados com os casos positivos SRAG no período, diz a Fiocruz. Apesar de estar mantendo sinal de queda.

“Apesar do patamar atual dos casos de SRAG no país ser o menor desde o início da epidemia de Covid-19, ainda está acima de dois casos por 100 mil habitantes”, alertou o coordenador do boletim. O ideal, diz ele, é que o Brasil consiga se manter abaixo de 1 caso por 100 mil habitantes.

Estados e capitais

Das 27 unidades federativas analisadas pelo boletim da Fiocruz, sete apresentaram sinal de crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) de longo prazo, ou seja, nas últimas seis semanas. São eles: Amapá, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Roraima e Sergipe.

“Acre, Distrito Federal, Pernambuco, Piauí e Tocantins apontam para estabilidade na tendência de longo prazo, enquanto as demais apresentam sinal de queda. No entanto, três delas apresentam sinal de crescimento apenas na tendência de curto prazo (últimas 3 semanas): Acre, Piauí e São Paulo”, informaram os pesquisadores no Boletim InfoGripe.

Já entre as capitais, 12 das 27 tiveram sinais de aumento na tendência de longo prazo até o dia 26 de março, na 12ª semana epidemiológica. São as cidades de Aracaju (SE), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Maceió (AL), Recife (PE), São Paulo (SP) e Vitória (ES).

Em outras quatro capitais: Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC) e Teresina (PI), foi observado sinal de crescimento somente na tendência de curto prazo.

Mais Recentes da CNN