Casos de síndrome respiratória grave em crianças estão próximos do pico de 2020

Boletim divulgado nesta sexta-feira (08) pela Fiocruz aponta que foram registrados cerca de 1.200 casos semanais na faixa-etária de 0 a 9 anos

Atividades escolares durante a pandemia de Covid-19 na cidade de Jundiaí (SP)
Atividades escolares durante a pandemia de Covid-19 na cidade de Jundiaí (SP) Pedro Amora/Prefeitura de Jundiaí

Mylena Guedesda CNN*

no Rio de Janeiro

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As crianças com 0 a 9 anos de idade apresentam alto índice de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com números próximos aos registrados no pico de casos, em julho de 2020, de acordo com o Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), nesta sexta-feira (8).

Segundo a Fiocruz, os valores nessa faixa etária estão em patamar entre mil e 1.200 casos semanais.

O estudo se baseia nos dados do Ministério da Saúde inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 4 de outubro. À CNN, o coordenador do Boletim, Marcelo Gomes, afirma que o cenário é uma mistura de três principais fatores.

“Diferente do ano passado, em que as crianças estiveram mais preservadas, em 2021 houve flexibilizações já no início do ano. As aulas presenciais por si só já mudam a exposição dessa faixa-etária, tendo uma tendência de aumento para esse grupo. Outra questão é a vacinação. Com o imunizante contra a Covid-19, os adultos têm um efeito protetor que as crianças não têm, então isso muda os percentuais quando comparado com a população em geral”, explica o pesquisador.

“No Rio Grande do Sul, foi observado um surto extremamente elevado de Vírus Sincicial Respiratório (VSR), para se ter uma noção, maior do que para Covid, nos casos graves”, afirma Gomes.

Segundo Marcelo Gomes, a autorização de uma vacina contra o coronavírus para crianças menores de 12 anos é de extrema importância.

“A expectativa é que, em breve, ocorra essa liberação no Brasil, que os dados sejam avaliados pela Anvisa. A Pfizer, por exemplo, já pediu autorização emergencial nos Estados Unidos. A Coronavac também é uma esperança, na China, ela é autorizada. Por mais que a gente saiba que o risco nessa faixa etária é menor, ele não é nulo. Além do mais, este cenário de maior exposição faz com que essas crianças levem o vírus para casa”, afirma.

Em relação à população em geral, o Boletim ressaltou a estabilidade dos casos, com pequenas oscilações. O patamar atual representa os menores valores desde o início da pandemia no Brasil, em março do ano passado.

Nesta atualização, Distrito Federal, Espírito Santo, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe apresentaram sinal de crescimento de casos nas últimas seis semanas. Contudo, o cenário de aumento reflete pequenas variações em valores estáveis. A única exceção é o Distrito Federal, onde há uma alta expressiva na população acima dos 60 anos.

“O cenário do Distrito Federal hoje é semelhante ao do Rio há algum tempo, até o fim de agosto. Não há uma causa clara e específica para o aumento expressivo, pode ser a variante Delta, pode ser que nem todos os idosos receberam ainda o reforço. Mas está claro que está acontecendo aumento de casos”, disse Marcelo Gomes.

Em relação à flexibilização da máscara, que está sendo discutida em algumas cidades, como o Rio, o pesquisador ressalta que o equipamento ainda é essencial.

“O entendimento da Fiocruz, em geral, a máscara é fundamental, mesmo com queda nos níveis epidemiológicos. Ainda estamos em uma pandemia, os números não são baixos suficientes para chegar nesse nível de suspender a proteção. É preciso manter em mente o que aconteceu em alguns países, que fizeram a retirada da máscara de maneira precoce e tiveram um resultado ruim, tendo que retomar diversas medidas”, afirma o coordenador do InfoGripe.

 

*Sob supervisão de Helena Vieira

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