“Chip da beleza” pode causar efeitos colaterais graves no corpo humano

No quadro Correspondente Médico, Fernando Gomes avalia os riscos de tratamento hormonal que ganhou fama na internet após uso por influenciadoras

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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Na edição desta sexta-feira (10) do quadro Correspondente Médico, no Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes falou sobre o chamado “chip da beleza”, um implante hormonal do tamanho de um palito de fósforo que vem ganhando fama na internet após a utilização por influenciadoras digitais.

O tratamento, que não é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), promete resultados como emagrecimento, aumento da disposição física e massa magra sem a necessidade de grandes esforços.

Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, o médico Alexandre Hohl criticou o procedimento. “O grande problema é que muitas vezes se utilizam derivados anabolizantes – testosterona e, principalmente, a gestrinona entre as mulheres – e não existe indicação médica para isso. O objetivo é estético, não é para tratar uma doença. Efeitos adversos podem acontecer em diferentes partes do corpo.”

Em entrevista à CNN, Hohl mencionou também os principais efeitos colaterais causados pelo “chip”. “Alteração da pele, aumento dos pelos, oleosidade da pele, queda de cabelo, a voz da mulher pode ficar mais grave, aumento do clitóris, alteração da menstruação, da fertilidade, [e das funções] cardíaca e hepática… Os riscos são muito maiores que os benefícios”, disse.

Fernando Gomes concordou com o endocrinologista e afirmou ser necessário avaliar a situação com muito critério. “É muito interessante verificar como a medicina progride, então você pode oferecer hormônio de forma liberada e lenta sem a necessidade de tomar comprimidos ou injeções semanais. Mas o grande problema é o reloginho biológico que faz toda a regulação do corpo humano que é extremamente funcional, como se fosse um relógio suíço.”

Segundo o neurocirurgião, a atuação do implante gera uma confusão no corpo humano, similar aos casos de hipervitaminose.

“Você não tem a carência de um hormônio e oferece ele em excesso. Vai ter um efeito colateral que muitas vezes a pessoa está buscando, vai ficar mais bonita durante um período de tempo. Só que o preço disso, do ponto de vista biológico, pode ser bastante complicado. Você busca beleza e acaba com um problema cardiovascular”, concluiu.

A não aprovação do tratamento pela Anvisa também foi alvo de discussão, com Gomes ressaltando a necessidade de confiança nas entidades que gerem a Saúde no país. “Temos as sociedades médicas organizadas, os órgãos de regulação e, obviamente, o bom senso. Bonito mesmo é ser saudável.”

“A grande mágica é entender que a ciência progride passo a passo. É muito complicado a gente se lançar em algo simplesmente buscando uma aparência física mais bonita.”

O médico também destacou que, apesar dos altos riscos, o uso do “chip da beleza” não é necessariamente uma sentença de morte e recomendou que os pacientes procurem especialistas para uma avaliação.

“Nem todas as pessoas que estão usando vão ter os efeitos colaterais, mas precisamos ficar atento ao que pode acontecer e entender que existe este ‘balé de hormônios’ no corpo com um ajuste muito fino”, finalizou.

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