Fiocruz indica tendência de alta em casos de síndrome respiratória aguda grave

Boletim InfoGripe ainda alerta para o avanço dos casos de Influenza A na cidade do Rio de Janeiro

Gripe avança no país, principalmente no Rio de Janeiro
Gripe avança no país, principalmente no Rio de Janeiro Unsplash

Iuri Corsinida CNN

Rio de Janeiro

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O novo Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (10) pela Fiocruz, alerta para uma consolidação da tendência de crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diversas regiões do país e entre todas as faixas etárias abaixo de 60 anos.

Além disso, o levantamento aponta que já se observa uma presença significativa do vírus influenza A, tanto em crianças quanto na população adulta, entre os casos de SRAG na cidade do Rio de Janeiro, referentes às semanas epidemiológicas 47 e 48 (de 21 a 28 de novembro e de 28 a 4 de dezembro).

No boletim da semana passada, a Fiocruz já indicava uma tendência no aumento de casos gripais graves. Porém, como destaca o coordenador do Boletim, Marcelo Gomes, o aumento, apesar de ainda ser leve, aponta para um crescimento sustentado de casos de SRAG.

“Um ponto que chama atenção é que no boletim desta semana o sinal de crescimento na curva de casos em diversos estados já está com uma cara que não é apenas uma simples oscilação. É, de fato, uma tendência de crescimento real e sustentada. Esse crescimento de casos de SRAG ainda é lento, mas está se mantendo semanalmente”, alertou o pesquisador.

O aumento de casos tem sido mais predominante nas faixas etárias de 0 a 29 anos. Já nas faixas etárias entre 30 e 59 anos o crescimento é relativamente mais leve. Os casos de SRAG ainda são quase que exclusivamente de Covid-19. Apenas na faixa etária de 0 a 9 anos que os casos de vírus sincicial respiratório (VSR) predominaram em relação à covid. Especificamente na cidade do Rio, apesar da predominância da Sars-CoV-2 (Covid-19), os casos de Influenza A já estão tendo um considerável impacto nesse crescimento identificado.

De acordo com o boletim, nenhuma das 118 macrorregiões de saúde apresenta indícios de SRAG extremamente alto. Desse total, apenas 9 regiões localizadas em Minas Gerais, Pará, Paraná e São Paulo apresentam nível muito alto”.

Avanço da Influenza

À CNN, o pesquisador da Fiocruz, Marcelo Gomes, destacou que o vírus da Influenza A já está bastante disseminado na cidade do Rio de Janeiro. Segundo ele, como o Rio tem um fluxo muito grande de pessoas se deslocando, isso coloca todos os demais centros urbanos do país em uma situação de exposição muito grande.

O especialista explicou que assim como a Covid, os sintomas da gripe podem levar alguns dias para apresentarem os primeiros sinais. Sendo assim, a chance de alguém viajar para outro lugar sem saber que está com o vírus é muito grande.

“Por isso, a chance é cada vez mais alta de haver o que chamo de importação de casos. Começa a ser uma questão de tempo até a Influenza começar a dar sinais em outros locais, especialmente se a gente se descuidar das medidas de proteção em relação à Covid. Justamente porque essas medidas também têm um papel muito importante em relação à gripe”, disse Gomes.

O pesquisador também avalia que o vírus da Influenza praticamente sumiu no ano passado em decorrência das medidas de contenção da pandemia, que também impactaram na não disseminação da gripe. Porém, com o relaxamento das medidas de distanciamento e proteção individual, com a baixíssima taxa vacinal contra a gripe, o vírus está voltando com força total, diante deste “cenário ideal” para sua propagação.

Gomes reforçou ainda a necessidade da manutenção das medidas de mitigação da pandemia, como o distanciamento social e o uso de máscaras, para conter o avanço da Influenza e da própria Covid. Ele alertou que o Brasil, apesar das vacinas, ainda vive um cenário de incerteza em relação à variante Ômicron e diz que mesmo antes da disseminação desta nova variante o país já está em um cenário que aponta o crescimento de casos de SRAG.

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