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    Cientistas transformam células cancerígenas em unidades musculares saudáveis

    Equipe investigou a chamada "terapia de diferenciação" aplicada a um tipo de câncer comum no público pediátrico

    Formato fusiforme é característico de músculos
    Formato fusiforme é característico de músculos Reprodução/Laboratório Cold Spring Harbor

    Renata Souzada CNN

    São Paulo

    Uma técnica inovadora que transforma células cancerígenas em funcionais saudáveis pode representar uma nova opção para o tratamento de pacientes oncológicos.

    Cientistas do Laboratório Cold Spring Harbor (Cold Spring Harbor Laboratory), liderados pelo pesquisador Christopher Vakoc, investigaram a chamada “terapia de diferenciação” aplicada a um agressivo tipo de câncer comum no público pediátrico, o rabdomiossarcoma (RMS).

     

    “Todo medicamento de sucesso tem sua história de origem. E pesquisas como essa são o solo a partir do qual nascem novos medicamentos”, afirmou Vakoc.

    Para chegar ao resultado esperado, a equipe de pesquisadores desenvolveu uma nova técnica de rastreio genético.

    Por meio da tecnologia de edição de genoma, eles buscaram genes que, quando interrompidos, forçariam as células RMS a se transformarem em células musculares. De acordo com os cientistas, as células RMS se assemelham às células musculares das crianças.

    Em meio ao procedimento surgiu uma proteína chamada NF-Y. Quando tal proteína se esgotou nas células cancerígenas, o grupo observou a transformação.

    “As células literalmente se transformam em músculos. O tumor perde todos os atributos do câncer. Eles estão mudando de uma célula que só quer produzir mais de si mesma para células dedicadas à contração. Como toda a sua energia e recursos estão agora dedicados à contração, não pode voltar a este estado de multiplicação”, descreveu o pesquisador.

    De acordo com os pesquisadores, a relação entre a proteína e as células cancerígenas pode ser o mecanismo necessário para levar a terapia de diferenciação aos pacientes oncológicos.

    A equipe acredita ainda que, futuramente, tecnologia poderá ser aplicada a outros tipos de câncer.

    “Essa tecnologia pode permitir que você pegue qualquer câncer e procure como diferenciá-lo”, explica Vakoc. “Este pode ser um passo fundamental para tornar a terapia de diferenciação mais acessível.”

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