CNN embarca em helicóptero que leva vacinas para municípios do RJ

Adquirida em 2012 pelo governo do estado, a aeronave pesa duas toneladas e leva até cinco passageiros, além dos dois pilotos

Pedro Duran, da CNN, no Rio de Janeiro
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Sob o nascer do sol, o Agusta 109 esquenta os motores. Junto com outros dois helicópteros, ele vai levar parte da remessa de 131 mil doses da Coronavac para os municípios do interior do Rio de Janeiro. 

Na divisão feita pela Secretaria Estadual da Saúde do Rio de Janeiro, quatro das 92 cidades buscam as doses em Niterói por terra. As outras 88 recebem as caixas de isopor com as doses da vacina em pontos regionais onde pousam as aeronaves.

Adquirida em 2012 pelo governo do estado, a aeronave pesa duas toneladas e leva até cinco passageiros, além dos dois pilotos. Com bancos estofados e detalhes dourados, como a maçaneta, fivela do cinto e saída de ar-condicionado, o helicóptero era o queridinho do ex-governador Sérgio Cabral, que abriu a licitação para comprá-lo no início seu segundo mandato, em 2011.

A bordo dele, Cabral foi diversas vezes à casa de veraneio da família em Mangaratiba. Depois do ex-governador, que agora está preso em Bangu, o Agusta ainda levou Luiz Fernando Pezão, o interino Francisco Dornelles, Wilson Witzel e Claudio Castro.

A ideia é que depois do transporte das vacinas, o helicóptero também possa ficar à disposição para equipes da Secretaria da saúde, com o transporte de órgão para transplante, por exemplo.

Nesta quinta-feira (11), a aeronave transportou doses da Coronavac para dezenas de municípios fluminenses. Ao todo, foram distribuídas 131 mil doses nessa leva. Além das três aeronaves, quatro cidades ainda contaram com transporte terrestre, porque ficam próximas do centro de distribuição em Niterói. 

As caixas de isopor foram posicionadas no bagageiro da aeronave e sobre os bancos. Para controlar a temperatura da vacina, caixas de gelo e termômetros eletrônicos.

O helicóptero saiu por volta das 7h da base aérea das forças de segurança do estado e seguiu rumo ao centro de abastecimento da Secretaria Estadual da Saúde, em Niterói. Na sequência parou em Cabo Frio, Araruama, Rio Bonito, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, com uma parada para recarregar em Niterói logo antes do último destino. A viagem terminou pouco antes das 13h.

Em Rio Bonito, o barulho da aeronave atrapalhou um torneio de canto de passarinhos, que estava sendo realizado em um ginásio. É que o helicóptero parou no campo do Motorista Futebol Clube, que cede o espaço para a disputa e para o pouso do transporte de vacinas.

“Olha, na verdade, na primeira vez que vieram nem me avisaram. Chegou o helicóptero sem que eu soubesse o que era, me ligaram às seis da manhã [dizendo] que tinha um monte de carros de polícia em volta do campo”, disse o presidente do clube, Fernando Aurélio Mesquita.

Mesquita conta que não se opôs a liberar o campo. “Eu pedi a eles: ‘peguem meu telefone, me liguem quando vocês vierem, porque, de repente, está cheio de traves, crianças treinando aqui dentro, coisa e tal, vai atrapalhar o pouso’. Mas o clube é pra isso mesmo, pra servir a cidade, ainda mais com essa vacina”, completou.