Cobertura de segunda dose de vacina contra sarampo no Brasil é de 50%

Campanha de imunização contra a doença começa em crianças de seis meses a menores de 5 anos na próxima segunda-feira (2); expectativa do Ministério da Saúde é imunizar 95% do público infantil

Campanha de vacinação contra sarampo no Rio de Janeiro.
Campanha de vacinação contra sarampo no Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo - 1.fev.2020/ Agência Brasil

Nathalie Hanna Alpacada CNN*

no Rio de Janeiro

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A partir da próxima segunda-feira (2), o Ministério da Saúde dá início à campanha de vacinação contra o sarampo em crianças de seis meses a menores de cinco anos.

Em 2021, a cobertura nacional da primeira dose da vacina tríplice viral era de 71% e a da segunda de apenas 50%.

O esperado este ano, de acordo com o Ministério da Saúde, é alcançar 95% do público infantil. O imunizante protege contra o sarampo, a rubéola e a caxumba.

Em 2016, o Brasil recebeu a certificação da eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Entretanto, em 2018, o vírus foi reintroduzido no país, ocasionando um novo surto com 9.325 casos no Brasil.

No período de 2018 a 2021, foram confirmados 39.342 casos de sarampo com 40 óbitos pela doença.

Em 2022, até a Semana Epidemiológica (SE) 8, que vai de 20 a 26 de fevereiro, nove casos de sarampo foram confirmados pelo Ministério da Saúde, sendo que oito foram no Amapá e um caso em São Paulo.

No dia 13 de abril, a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo confirmou mais um caso de sarampo. Os casos no estado foram registrados na capital paulista e na cidade de Cubatão.

O sarampo é uma doença infecciosa, transmissível e extremamente contagiosa, que pode levar a complicações e óbitos.

Os principais sintomas são febre acompanhada de tosse, irritação nos olhos, nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso. As principais complicações em crianças são pneumonia, infecções de ouvido e inflamação no cérebro (encefalite aguda).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunologia, as crianças precisam tomar duas doses do tríplice viral, com intervalos de pelo menos um mês entre elas. O mesmo é recomendado para os adultos.

Para a médica Tânia Petraglia, membro do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), tomar a vacina é uma das formas mais eficazes que há até o momento para evitar a doença.

“O sarampo em crianças menores de 5 anos é uma doença potencialmente grave, que pode levar até a morte. A melhor forma de combatê-la é por meio da vacinação, que é eficaz. Estamos com uma cobertura baixa e precisamos melhorar isso. A vacinação não é só para criança, é para todas as faixas etárias e todos os adultos deveriam ir aos postos de saúde. Precisamos de proteção de rebanho e todos vacinados para evitarmos a circulação dessas doenças que já foram controladas no passado”, informa.

O infectologista e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Marcos Lago afirma que, quem ainda não se vacinou, pode colocar a vida das crianças em risco. Além disso, ele destaca a importância e a veracidade que o imunizante, lançado na década de 70, tem.

“A vacina contra essa doença é extremamente segura, com uma proteção de 98%. Ela existe há 50 anos e foi capaz de radicar o sarampo em todos os países que a utilizaram. As pessoas não entendem a gravidade da doença, que é extremamente contagiosa”, ressalta.

Campanha de vacinação contra a gripe

Em paralelo à campanha de vacinação contra o sarampo, o Ministério da Saúde também realiza a da gripe. De acordo com a pasta, o público infantil deve tomar uma dose de cada um dos imunizantes sem necessidade de intervalo entre elas. Dessa forma, as vacinas contra as duas doenças poderão ser aplicadas no mesmo dia.

Em nota, a pasta diz que a meta é vacinar todas as crianças contra o sarampo de forma indiscriminada, mesmo que já tenham recebido o imunizante, além de atualizar a caderneta dos trabalhadores de saúde.

Além das crianças de seis meses a menores de 5 anos, outros grupos também poderão ser vacinados contra Influenza e sarampo. São eles: gestantes, povos indígenas, funcionários do sistema prisional, caminhoneiros, trabalhadores portuários, professores, pessoas com deficiência e comorbidades, população privada de liberdade e forças de segurança, salvamento e Forças Armadas.

Estagiária sob supervisão de Helena Vieira

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