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    Com redução no ritmo, Brasil ultrapassa marca de 700 mil mortes por Covid-19

    País mostra desaceleração na incidência de vítimas pela doença, novos 100 mil óbitos pela infecção causada pelo coronavírus ocorreram no prazo de quase um ano e meio após o registro de 600 mil vidas perdidas

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    O Brasil atingiu nesta terça-feira (28) a marca de 700 mil vidas perdidas devido à infecção pelo coronavírus. Ao longo da pandemia, os índices de casos e de mortes pela doença apresentaram oscilação, influenciada principalmente pela circulação de novas variantes do vírus.

    De acordo com os dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o país tem um total de 700.239 mortes e 37.258.663 casos da doença desde o início da pandemia em 2020.

    O acompanhamento dos indicadores da Covid-19, feito a partir de semanas epidemiológicas, revela que o pior cenário no país foi observado na semana de 4 a 10 de abril de 2021.

    Na ocasião, foram registrados 21.141 óbitos semanais e o país contabilizava mais de 351 mil vítimas, de acordo com os dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). O dia com o maior número de mortes foi 8 de abril daquele ano, com um total de 4,2 mil vidas perdidas para a infecção pelo coronavírus.

    O acumulado de 700 mil mortes foi atingido quase um ano e meio após o Brasil registrar 600 mil óbitos pela Covid-19, no dia 7 de outubro de 2021. Naquele ano, as marcas de 100 mil mortes foram atualizadas em prazo consideravelmente mais curto (veja abaixo).

    Matheus Negrão/Arte/CNN

    Cenário epidemiológico

    O contexto epidemiológico atual mostra uma desaceleração no ritmo de mortes no país, devido a causas multifatoriais. Entre elas estão o avanço da vacinação, a aplicação de doses de reforço e a formação da imunidade conferida pela infecção natural pelo vírus.

    O dia com o maior número de mortes no Brasil foi 8 de abril de 2021, com um total de 4,2 mil vidas perdidas para a infecção pelo coronavírus. A partir da primeira semana de abril de daquele ano, o número de óbitos no Brasil entrou em tendência de queda – o momento coincide com a maior disponibilidade de doses contra a doença no país.

    Foram apresentados aumentos ligeiros em junho de 2021 e fevereiro de 2022, mas com índices substancialmente inferiores aos comparados com o recorde da pandemia.

    No início de 2022, o Brasil registrou um recorde no número de casos semanais. Na semana de 23 a 29 de janeiro do ano passado, foram notificados 1.305.447 casos, elevando o total de infecções a mais de 25 milhões no país.

    Estima-se que o aumento na circulação do vírus no período foi potencializado pela introdução da variante Ômicron, altamente transmissível, identificada em novembro de 2021. A alta nas infecções, no entanto, não foi acompanhada em mesmo ritmo pelos indicadores de óbitos. Na mesma semana, o total de óbitos registrado chegou a 3.723.

    Avanço na aplicação do reforço

    Apesar da melhoria significativa do cenário epidemiológico da doença e uma relação direta entre a redução de casos graves e mortes pela infecção ao processo de vacinação, o país enfrenta dificuldades em alavancar a aplicação de doses de reforço.

    “A vacinação contra a Covid-19 é um divisor de águas na pandemia no Brasil por que diminuiu de maneira drástica o número de casos graves e mortes. Ao mesmo tempo, ela traz em si uma responsabilidade aumentada por que as pessoas tendem a falar menos e pensar menos em Covid e achar que a pandemia acabou”, afirma o médico infectologista Evaldo Stanislau de Araújo, da Divisão de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    As últimas estimativas do Ministério da Saúde apontam que cerca de 19,1 milhões de brasileiros estão com a segunda dose da vacina contra a Covid-19 em atraso e não estão completamente protegidos contra a infecção.

    O número de pessoas que deixaram de receber a primeira dose de reforço chega a 68,6 milhões. Outros 30,2 milhões estão atrasados com a segunda dose de reforço.

    “O próximo perigo que nós temos que enfrentar é que as pessoas deixem de tomar as doses de reforço da vacina que certamente serão necessárias ainda por muito tempo. E com isso, a gente perca a proteção imunológica que nós temos hoje. Então, voltaríamos a ter um cenário potencialmente mais grave, com aumento de mortes e internações por Covid-19”, diz o médico.

    Por outro lado, a aplicação das doses da vacina bivalente avança no país. Até o momento, mais de 5,6 milhões de brasileiros já garantiram a dose de reforço com as vacinas atualizadas. Entre os idosos, são 949,7 mil doses nas pessoas de 60 a 64 anos; 1 milhão nas pessoas de 65 a 69 anos; 1,2 milhão entre as de 70 a 74 anos; 882,5 mil no público de 75 a 79 anos e 989,8 mil nos idosos de 80 anos ou mais.

    Para receber o imunizante, é preciso ter completado o esquema primário com as monovalentes e respeitar um prazo mínimo de quatro meses desde a última dose recebida. O Ministério da Saúde reforça que, tanto as vacinas monovalentes quanto as bivalentes, têm segurança comprovada e são igualmente eficazes na proteção contra o coronavírus.

    Veja os grupos prioritários que podem ser imunizados com as vacinas bivalentes:

    • Idosos de 60 anos ou mais de idade;
    • pessoas vivendo em instituições de longa permanência a partir de 12 anos e seus trabalhadores;
    • pessoas imunocomprometidas a partir de 12 anos de idade;
    • indígenas, ribeirinhos e quilombolas (a partir de 12 anos de idade);
    • gestantes e puérperas;
    • trabalhadores da saúde;
    • pessoas com deficiência permanente (a partir de 12 anos de idade);
    • população privada de liberdade e adolescentes em medidas socioeducativas, e
    • funcionários do Sistema de Privação de Liberdade.