Confira 5 práticas pedagógicas para inclusão na sala de aula
Especialista reforça como educadores podem atuar na mediação do conhecimento, valorizando a diversidade e promovendo equidade no processo educativo
André Nicolau, colaboração para a CNN Brasil

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De acordo com dados do Censo Escolar de 2024, divulgados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), apenas um em cada três estabelecimentos de ensino da educação básica, que possuem matrículas de estudantes público-alvo da Educação Especial, oferece AEE (atendimento educacional especializado).
O dado reflete a emergência de promover práticas pedagógicas para a promoção de uma educação inclusiva que garanta que os alunos alcancem bons resultados. Muitos educadores não foram preparados ou possuem conhecimento sobre as especificidades de alunos atípicos e neurodivergentes.
Segundo a psicóloga, psicopedagoga e autora da Rede Pitágoras, Stella Maris Bicalho de Paiva, a mediação eficaz é o caminho para o real aprendizado de todos os alunos, seja individual ou coletiva. “Para realizar mediações efetivas, é essencial saber as necessidades e, principalmente, potencialidades do aluno. O professor vai realizar atividades e dialogar a partir do que o estudante consegue desenvolver, e, a partir disso, estabelecer novos desafios de maneira individualizada”, propõe.
A psicóloga também acrescenta que a inclusão não é um ato isolado, pois deve partir de toda a comunidade escolar, envolvendo gestores, coordenadores, professores, auxiliares de pátio, atendentes terapêuticos, alunos e famílias. “Não podemos esquecer que todos os alunos pertencem a uma família e que eeles trazem de casa valores como respeito, empatia, cooperação, afeto, essenciais para que a inclusão aconteça dentro e fora da escola”, acrescenta.
Além disso, a psicopedagoga defende que uma instituição educacional que prioriza em seu projeto pedagógico a equidade promove respeito entre todas as diferenças. Assim, segundo ela, cada aluno terá oportunidade de aprender e ser incluído.
Para ela, é papel da escola auxiliar os professores na elaboração do PEI (Plano de desenvolvimento Individualizado), o qual o professor, junto a equipe de profissionais da escola, desenvolve o trabalho com cada aluno que necessita de intervenções específicas, adaptações no currículo escolar e nas atividades a partir do diálogo com a família, observações e diagnósticos de outros profissionais. “É oferecer condições e recursos para que as estratégias previstas sejam realmente executadas, promovendo condições de aprendizagem para todos”, acrescenta.
Para ajudar os profissionais de educação e familiares na promoção de uma educação mais inclusiva, Stella destaca 5 práticas pedagógicas que podem contribuir de forma concreta para melhorar o desempenho dos alunos na sala de aula.
- Procure ter diálogos abertos entre família e escola: é essencial conhecer o aluno e a melhor forma de fazer isso é por meio de uma conversa aberta com os familiares. De acordo com a especialista, os familiares devem confiar na escola e informar o que podem auxiliar no processo de desenvolvimento de filho. A relação deve ser de parceria, trocas constantes e respeito;
- Faça uma adaptação curricular: essa ação somente será possível após conhecer o aluno, identificando como ele se comporta e de que forma desenvolve as atividades. Lembrando que a escola é um espaço coletivo, por isso, após essa etapa, será necessário verificar suas necessidades específicas e elaborar o um Plano de Desenvolvimento Individualizado (PEI) para fazer adaptações curriculares necessárias;
- Proponha atividades que atendam as diversas deficiências: sejam elas sensoriais, motoras e cognitivas. Por meio dessas atividades, todos os alunos poderão vivenciar e conhecer melhor as necessidades dos colegas;
- Faça atividades inclusivas: envolver todos os alunos para que possam conhecer uns aos outros trabalhará empatia, resolução de conflitos, tolerância, respeito as necessidades de cada um e cooperação;
- Seja flexível: fazer ajustes na didática sempre será necessário. “Não adianta dizer que fez a melhor adaptação curricular se, para um aluno, não estiver funcionando”, comenta a psicóloga. Por isso, sempre que necessário, o indicado é rever e refazer adaptações quantas vezes for necessário.


