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    Conheça os principais sintomas de câncer de útero

    Há dois tipos principais da doença: câncer do colo do útero e câncer do corpo do útero

    Jéssica Otoboni,

    da CNN, em São Paulo

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    A apresentadora de televisão Fátima Bernardes informou nessa quarta-feira (2) que está com câncer de útero, descoberto após uma série de exames de rotina. Há dois tipos principais da doença: câncer do colo do útero e câncer do corpo do útero

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    Câncer do colo do útero

    Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer do colo do útero (câncer cervical) é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Com cerca de 570 mil novos casos registrados no mundo anualmente, a doença é responsável por 311 mortes dentro desse período. No Brasil, estima-se que em 2020 haja 16.710 novos casos.

    Essa doença se caracteriza pela replicação desordenada do tecido que reveste o colo do útero (região entre o útero e a vagina), comprometendo outros tecidos e podendo invadir estruturas e órgãos. Ela pode afetar o epitélio escamoso (cerca de 90% dos casos) ou o epitélio glandular (cerca de 10% dos casos). Os dois tipos são causados por uma infecção de alguns tipos do Papilomavírus Humano (HPV).

    Infecções por HPV são comuns e não costumam evoluir para doenças. Mas, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que, depois de alguns anos, levam ao câncer. Fazer exames preventivos, como o Papanicolau, periodicamente ajudam a detectá-lo.

    Segundo Jesus Paula Carvalho, ginecologista e médico chefe da equipe de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), essa doença é mais comum em mulheres em idade reprodutiva e causa 1 morte a cada 90 minutos no Brasil.

    Carvalho, que participou da elaboração de uma estratégia global da Organização Mundial de Saúde (OMS) em novembro para erradicar o câncer do colo de útero como problema de saúde pública, alerta que a doença evolui ao longo de muitos anos sem apresentar sintomas, mas pode ser detectada logo no início com exames de prevenção. “Cerca de três quartos das pacientes brasileiras procuram tratamento quando a doença já está avançada”, o que dificulta o tratamento, explicou ele.

    O HPV pode ser transmitido por meio de relações sexuais sem proteção. Atualmente, existe uma vacina que protege contra quatro tipos do vírus. Ela consta no calendário de vacinação do Ministério da Saúde e é aplicada em meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

    Para a oncologista Maria Del Pilar, que atua na clínica Onco Star e no Hospital São Luiz, estratégias de rastreamento, como os exames periódicos, além da vacina, são de extrema importância para identificar lesões malignas ou pré-malignas e tratá-las ainda em fase inicial. “Quase 100% dos casos de câncer do colo do útero são induzidos pelo HPV, que é altamente infectante.”

    Sintomas:

    • Pode não apresentar sintomas quando está em fase inicial
    • Sangramento vaginal que vai e volta
    • Sangramento vaginal após relações sexuais
    • Secreção vaginal fora do comum
    • Dor abdominal 
    • Dores ao urinar e evacuar
    • Dor no intestino
    • Dor durante a atividade sexual

    Célula cancerígena
    Ilustração de célula cancerígena na corrente sanguínea
    Foto: Pixabay

    Câncer do corpo do útero

    O câncer do corpo do útero pode se originar em diferentes partes do órgão. O mais comum é o chamado câncer do endométrio, o revestimento interno do útero – oitavo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, segundo o Hospital Sírio-Libanês.

    Os casos mais comuns são provocados pelo excesso de produção ou estímulo do hormônio estrogênio ou ainda pelo crescimento anormal das células no endométrio. De acordo com o Instituto Vencer o Câncer, a doença atinge principalmente mulheres que estão na menopausa, acima dos 60 anos, e que tiveram poucos ou nenhum filho. No Brasil, estima-se que em 2020 haja 6.540 novos casos.

    Esse tipo de câncer pode ser prevenido com a prática de exercícios físicos, manutenção do peso corporal em um nível considerado saudável e até com a gravidez, já que quem fica muito tempo grávida ou amamentando acaba passando por um momento de restrição hormonal, o que ajuda a prevenir a doença, segundo Carvalho.

    Ele destaca que “o principal fator de risco para o câncer do endométrio é a obesidade”, e que usar hormônios sem orientação médica pode levar à doença. “O aumento de peso provoca um aumento na produção do estrogênio, o que facilita o surgimento da doença”, detalha Del Pilar.

    Sintomas

    • Sangramento vaginal fora do período de menstruação
    • Sangramento vaginal mais intenso do que o habitual
    • Qualquer sangramento vaginal em mulheres que já estão na menopausa
    • Dor na região pélvica
    • Corrimentos anormais

    Tipo raro

    Maria Del Pilar alerta ainda para um terceiro tipo de câncer do útero: o da parede uterina. Segundo a oncologista, ele é muito raro, com 1,7 ocorrência a cada 100 mil mulheres, e não se sabe ainda qual a causa específica. Como sintomas, ela cita um aumento do volume do útero no estágio inicial da doença, e sangramentos e dores abdominais em estágios mais avançados. Fazer exames com periodicidade também ajuda a detectá-lo.

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