Conitec rejeita uso de medicamentos do “kit covid” em diretriz para não internados

"Nenhum desses tratamentos mostrou qualquer ação positiva", disse à CNN o coordenador de estudo que embasou recomendação da Comissão

Leonardo Lopesda CNN

em São Paulo

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Nesta terça-feira (7), a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou um parecer que rejeita o uso da cloroquina, azitromicina, ivermectina e outros medicamentos sem eficácia contra a Covid-19 para o tratamento de pacientes da doença que não estão internados.

Em entrevista à CNN, o coordenador do grupo responsável pelo estudo que embasou a diretriz da Conitec, Carlos Carvalho, explicou que, nesta terça, o documento foi revisto após ser discutido em uma primeira reunião, em outubro, e ter ficado em consulta pública, no mês de novembro. “Ontem, nós do grupo de pesquisadores, professores e especialistas de diferentes áreas médicas entregamos o documento em sua forma final para que a plenária da Conitec se posicionasse”, contou.

Na primeira reunião convocada em outubro, membros do Ministério da Saúde entraram em discordância com a equipe de especialistas. Agora, após a consulta pública e a aprovação final desta terça (7) pela Conitec, o relatório será encaminhado para a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, que decidirá pela incorporação ou não da recomendação.

“A recomendação da Conitec não tem função normativa, não obriga ou desobriga”, explicou Carlos Carvalho. O médico pneumologista e coordenador da UTI respiratória do Incor contou que, para embasar esse relatório, foi feito um extenso estudo avaliando todas as recomendações científicas sobre esses medicamentos desde janeiro de 2020.

“Estudamos pelo menos 10 formas de tratamento pré-hospitalar. Entre eles, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, o uso de corticoides, antibióticos, anti-inflamatórios, e nenhum deles mostrou qualquer ação positiva na fase pré-hospitalar da Covid-19”, afirmou.

Questionado se houve pressão política para que a recomendação dos especialistas fosse outra, Carlos relatou que desconhece qualquer relato de pressão ou interferência nas discussões. “Existiam discussões. Alguns que defendiam determinadas formas de utilização de medicamentos, outros que não, mas o resultado final é esse apresentado. Se a Conitec, como entidade, foi pressionada, não sei dizer”, disse.

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