Correspondente Médico: Como voltar à normalidade após trauma?

Neurocirurgião tira dúvidas sobre reações pós-traumáticas

Da CNN

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Entre as imagens impressionantes da tragédia em Beirute, ocorrida na terça-feira (4), um dos registros que mais chamaram a atenção em todo o mundo foi o de uma noiva que fazia uma sessão de fotos com o vestido do casamento e foi surpreendida pela explosão.

Um dia após a tragédia, Israa Seblani voltou ao local do acidente. “Eu não tenho palavras para explicar o que aconteceu, fiquei triste e chocada, pensei que iria morrer,” disse a noiva.

Na edição desta quinta-feira (6) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes abordou novamente o episódio, repercutiu vídeos impressionantes da explosão e analisou como o cérebro do indivíduo, impactado pela tragédia, funciona para voltar à normalidade após o trauma. 

“Existe uma briga interna pela sobrevivência, não só do corpo, mas da consciência do coletivo. No ponto de vista funcional, as coisas precisam acontecer novamente. Por exemplo, você precisa reconstruir sua casa e o trabalho. Portanto, após o período de alta adrenalina, o período de bonança vem um pouco tempo depois para auxiliar neste processo de retomada”, disse o neurocirurgião. 

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Eventos como estes, segundo o médico, pode trazer consequências no comportamento do indivíduo. “Os libaneses têm uma resiliência muito diferente devido ao histórico de ataques ao país. Mas tragédias como estas podem desencadear doenças mentais como depressão, ansiedade, transtorno de fobia e estresse pós-traumático. É muito importante ter um acompanhamento profissional neste momento”, orientou.

Outro vídeo também viralizou nas redes sociais e mostra outro cenário após a explosão na capital do Líbano. Uma senhora toca piano em meio a um apartamento atingido pelo impacto da tragédia. Nas imagens, enquanto uma triste melodia entoa, há pessoas se movimentando pelo local, auxiliando na reconstrução do local. 

“Estas cenas nos emocionam porque a pessoa se projeta nesta situação”, disse Fernando Gomes, que reforçou a importância da resiliência para o recomeço em momentos de grandes tragédias. “Como o cérebro junta elementos para que a realidade faça sentido, ao tocar aquela música ela ativa memórias que a fazem ‘desligar’ daquele momento”, completa.

De acordo com o médico, o cérebro humano guarda todas as memórias ‘para sempre’. “Você pode ressignificar, deixar ela no canto e não trazer ela para uma realidade que machuca. Mas a memória é algo que vem para ficar cristalizado no cérebro de uma forma definitiva. Quando ela está ligada à um fato emocional, esta memória é intensificada”, finalizou o médico.

(Edição: André Rigue)

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