Correspondente Médico: Novo medicamento pode retardar progressão do Alzheimer

No quadro Correspondente Médico, neurocirurgião Fernando Gomes explicou como funciona o remédio

Nicole Santana Lacerda, da CNN, em São Paulo

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Na edição desta terça-feira (8) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explica sobre um novo tratamento para Alzheimer aprovado para uso nos Estados Unidos. Segundo ele, apesar da doença não ter cura, com a terapia é possível retardar sua evolução.

“A gente não tem a cura, mas existem diversas estratégias para compor a forma de diagnosticar precocemente e dessa forma estabelecer um tratamento para, pelo menos, retardar e abrandar a evolução”, afirmou.

O remédio Aducanumabe, desenvolvido pela farmacêutica Biogen, foi aprovado para as fases iniciais da doença e funciona apenas para pacientes com deficiência cognitiva leve. A expectativa da farmacêutica é que com altas doses do medicamento será possível atrasar o declínio cognitivo em 22%. A decisão da FDA é histórica, visto que desde 2003, a agência não aprovava um novo remédio para o Alzheimer.

O neurocirurgião diz que a grande importância desta aprovação é aumentar as possibilidades de caminhos que um médico pode utilizar a fim de tratar seu paciente. “Essa aprovação significa uma arma a mais dentro do arsenal terapêutico que o clínico tem para lidar com esse problema.”

De acordo com Gomes, a doença geralmente se manifesta depois dos 60 ou 65 anos de idade e tem uma alta incidência na população mundial. “A gente pode dizer que 50% de qualquer demência acaba tendo diagnóstico de Alzheimer, podendo coexistir com outros, como demência, cerebrovascular e hidrocefalia de pressão normal.”

O Alzheimer

Dificuldade de atenção, perda de memória, problemas na comunicação verbal ou escrita e nas praxias, como se vestir e pentear o cabelo são algumas das consequências desse tipo de demência.

“Na fisiopatologia da doença de Alzheimer existe o acúmulo de proteínas que acabam fazendo parte da lesão progressiva dos neurônios, como por exemplo a proteína chamada Beta-amilóide, e esse medicamento [Aducanumabe] tem a capacidade de reduzir este acúmulo”, é o que analisa o neurocirurgião.

Ainda segundo o médico, esta é uma doença que causa Anosognosia: “Conforme o tempo passa, o indivíduo não percebe que tem o problema. Quem sofre mais é quem está em volta.”

A liberação do Aducanumabe pela agência norte-americana da Food and Drug Administration (FDA) causou divergências, uma vez que em 2020, um comitê consultivo concluiu que não há evidências suficientes para apoiar a eficácia do tratamento.

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