Costa do Marfim registra primeiro caso de ebola desde 1994

Paciente apresentou febre e está hospitalizado na cidade de Abidjan após chegar de viagem da Guiné na última quinta-feira (12)

Profissionais da saúde ajustam equipamentos antes de entrar em local com suspeita de ebola na República Democrática do Congo
Profissionais da saúde ajustam equipamentos antes de entrar em local com suspeita de ebola na República Democrática do Congo Foto: Goran Tomasevic - 13.dez.2018/Reuters

Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo

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O Ministério da Saúde da Costa do Marfim confirmou neste domingo (15) o primeiro caso de Ebola no país desde 1994. O Institut Pasteur do país confirmou, por meio de exames, a Doença do Vírus Ebola em amostras coletadas de um paciente hospitalizado na capital comercial de Abidjan, depois de chegar da Guiné.

As investigações iniciais revelaram que o paciente viajou para a Costa do Marfim por estrada e chegou a Abidjan na última quinta-feira (12). De acordo com as autoridades de saúde, o paciente foi internado em um hospital após apresentar febre e, atualmente, recebe tratamento.

A Guiné experimentou um surto de Ebola de quatro meses, que foi declarado encerrado em 19 de junho. Segundo o Ministério de Saúde, não há indicação de que o caso atual na Costa do Marfim esteja relacionado ao surto anterior na Guiné. 

Uma investigação mais aprofundada e o sequenciamento genômico deverão identificar a cepa e determinar se há uma conexão entre os dois surtos.

Surtos de Ebola foram declarados na República Democrática do Congo e na Guiné neste ano, mas é a primeira vez que ocorre um surto em uma grande capital como Abidjan desde o surto de Ebola Ocidental que durou de 2014 a 2016. 

“É uma grande preocupação que este surto tenha sido declarado em Abidjan, uma metrópole com mais de 4 milhões de pessoas”, disse Matshidiso Moeti, diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África. 

“No entanto, grande parte da experiência mundial no combate ao Ebola está aqui no continente e a Costa do Marfim pode aproveitar esta experiência e trazer a resposta a toda velocidade. O país é um dos seis que a OMS apoiou recentemente para aumentar sua prontidão para o Ebola e este diagnóstico rápido mostra que a preparação está valendo a pena”, completou Moeti.

Ebola, imagem microscópica
Imagem microscópica eletrônica do vírus Ebola
Foto: CDC – 01.jun.2020

OMS providencia vacinas

A OMS está ajudando a coordenar as atividades transfronteiriças de resposta ao ebola e também providencia 5 mil doses de vacinas contra o ebola, após um acordo entre os ministérios da saúde da Costa do Marfim e Guiné. 

Segundo as autoridades, uma aeronave partirá de Abidjan para coletar as vacinas que serão utilizadas para vacinar pessoas sob alto risco, incluindo profissionais de saúde, socorristas e contatos de casos confirmados.

A equipe da OMS baseada na Costa do Marfim está apoiando a investigação do caso. Além disso, uma equipe multidisciplinar de especialistas da OMS cobrindo todas as áreas-chave de resposta será enviada para atuação no local. 

Eles ajudarão a aumentar a prevenção de infecções e o controle das unidades de saúde, diagnósticos, rastreamento de contatos e tratamento.

A Costa do Marfim declarou o surto de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional e, neste momento, a OMS não aconselha quaisquer restrições às viagens de e para o país. Enquanto os países estão focados na resposta contra a pandemia de Covid-19, a Costa do Marfim deve fortalecer sua preparação para casos potenciais de Ebola.

Enquanto a Costa do Marfim faz fronteira com a Guiné e a Libéria, que foram duramente atingidas pelo surto de Ebola na África Ocidental de 2014-2016, o país não teve nenhum caso confirmado relatado desde 1994 – quando um surto entre chimpanzés infectou um cientista.

O ebola é uma doença grave e frequentemente fatal que afeta humanos e outros primatas. As taxas de letalidade variaram de 25% a 90% em surtos anteriores. 

Agora, no entanto, existe um tratamento eficaz disponível e se os pacientes recebem tratamento adequado, bem como cuidados de suporte, suas chances de sobrevivência aumentam significativamente, afirmam as autoridades de saúde da Costa do Marfim.

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