Covaxin e Sputnik V indicam serem tão boas quanto demais vacinas, diz Pasternak

Microbiologista Natalia Pasternak afirmou que vacinas demonstram potencial de serem tão boas quanto os demais imunizantes

Produzido por Fernanda Pinotti*, da CNN, em São Paulo

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As vacinas Covaxin, da Índia, e Sputnik V, da Rússia, demonstram potencial de serem tão boas quanto os demais imunizantes disponíveis até o momento contra a Covid-19, avaliou a microbiologista Natalia Pasternak em entrevista à CNN nesta sexta-feira (4).

Nesta sexta-feira (4), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa os pedidos de autorização excepcional e temporária para importação e distribuição de ambas vacinas.

Pasternak relembrou que os dois imunizantes tiveram importação vetada pela Anvisa por falta de documentos ou transparência no processo de fabricação. Agora, a agência reavalia a documentação apresentada pelas farmacêuticas responsáveis por cada vacina.

“No caso da Sputnik, temos todo um problema que já é antigo de falta de transparência, cientistas ainda incomodados, mesmo com os trabalhos publicados em relação à eficácia. Mas acho que são problemas menores agora, as duas vacinas deram amostras de que têm todo potencial de serem boas vacinas como qualquer outra que está no mercado”, afirmou a especialista.

“Já no caso da Covaxin, teve fatores da visita à fábrica, teve várias peculiaridades nas instalações do processo de purificação e esterilização que não passaram nos critérios da Anvisa”, disse a especialista.

“A Bharat Biotech se comprometeu a fazer adequações necessárias solicitadas e vejo com bons olhos essa postura. Acredito que, se todos os problemas foram sanados, a Anvisa deve conceder autorização”, avaliou.

Variante originária da Índia

Natalia Pasternak também avaliou a possibilidade da Covaxin e Sputnik V serem usadas contra novas cepas da Covid-19, como, por exemplo, a variante originária da Índia, que já foi identificada no Brasil.

“Não temos dados de eficácia em relação às variantes que estão circulando sobre a Covaxin, mas por ser uma vacina inativada, muito parecida com a Coronavac, a gente imagina que ela vai se comportar de maneira parecida”, explicou.

“Lembrando que todas as vacinas até agora, mesmo com pequena perda de eficácia [contra variantes] têm dado conta do recado, então não tem muito motivo para imaginarmos que a Covaxin ou Sputnik V vão ter problemas específicos. Imagino que elas seguirão o que acontece com as outras”, concluiu a microbiologista.

Dose da vacina indiana da Bharat Biotech, de nome Covaxin
Dose da vacina indiana da Bharat Biotech, de nome Covaxin
Foto: Adnan Abidi/Reuters

(*Sob supervisão de Layane Serrano)

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