Covid-19: Curitiba está há mais de 20 dias com todos os leitos de UTI ocupados

Em entrevista à CNN, a secretária municipal de saúde da capital paranaense, Márcia Huçulak, explicou as medidas adotadas para o enfrentamento da pandemia

Isabel Campos, da CNN em São Paulo
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Curitiba está há mais de vinte dias com limite total de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para pacientes com Covid-19. Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (17), a secretária municipal de saúde da capital paranaense, Márcia Huçulak, explicou as medidas adotadas para combater a pandemia e ampliar leitos.

“Nós organizamos [a rede pública de saúde] a cidade junto com a rede privada ampliando leitos dentro dos nossos hospitais. Temos hoje 548 leitos de UTI dedicados exclusivamente à Covid-19. Nós fizemos também um procedimento na cidade para transformar as nossas unidades de pronto atendimento que têm monitores, redes de gases e respiradores em alas de emergência. Tiramos ainda os atendimentos de emergência dessas unidades e passamos para unidades de atenção primária para ampliar leitos [para tratar a Covid-19].”

Segundo Huçulak, a perspectiva das autoridades é que haja uma queda nas internações nas próximas duas semanas. 

Propagação do vírus

Na avaliação da especialista, o aumento no número de casos do novo coronavírus não se deve exclusivamente às novas variantes do vírus, mas sim porque cada dia que passa, mais pessoas vão para a rua.

Além disso, segundo ela, mais da metade das pessoas diagnosticadas com a doença não cumprem o isolamento social para evitar, assim, a contaminação de outras pessoas.

“A população está muito cansada, estamos indo para o 16º mês da pandemia. A gente tem percebido, num monitoramento feito pelas nossas equipes, que mais da metade das pessoas com Covid-19 não se isolam. 90% dos casos são leves e 9% internam em Curitiba. A grande dificuldade é conter essa cadeia de transmissão, as pessoas precisam ganhar seu pão, trabalhar, pagar suas contas. Temos observado principalmente a partir do final do ano passado a dificuldade que temos tido de manter os casos ativos àquela medida de isolamento de sete a 10 dias.”