Covid-19 é uma infecção sazonal associada a temperatura e umidade, sugere estudo

Estudo conduzido por cientistas da Espanha sugere a classificação da Covid-19 como infecção sazonal relacionada às baixas temperaturas

As taxas de transmissão da Covid-19 mais altas foram associadas a temperaturas e umidade mais baixas, segundo o estudo
As taxas de transmissão da Covid-19 mais altas foram associadas a temperaturas e umidade mais baixas, segundo o estudo Estadão Conteúdo

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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A Covid-19 poderá ser classificada como uma infecção sazonal associada a baixas temperaturas e umidade, assim como acontece com a gripe. É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Barcelona para Saúde Global, da Espanha.

Os achados sugerem, ainda, que a transmissão aérea também tenha uma contribuição importante para a manutenção do número de casos da doença. Os resultados da análise foram publicados no periódico Nature Computational Science, na quinta-feira (21).

Compreender o comportamento do novo coronavírus é essencial para a definição de políticas públicas e de medidas sanitárias de enfrentamento à doença. O perfil sazonal do vírus influenza, causador da gripe comum, por exemplo, com maior circulação nos meses do inverno, permite a adoção de campanhas anuais de vacinação antecipadas, com o objetivo de minimizar os impactos do vírus para a população.

Em relação à Covid-19, por ser uma doença recente, pesquisadores em todo o mundo ainda buscam entender se a infecção poderá ter o mesmo perfil da gripe. O estudo realizado por pesquisadores da Espanha traz uma nova peça que reafirma a semelhança em relação à sazonalidade.

Uso de modelos computacionais

Os pesquisadores analisaram a associação de temperatura e umidade na fase inicial do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19, em 162 países dos cinco continentes. A análise considerou o período anterior às mudanças de comportamento e de intervenções de políticas de saúde pública contra a infecção.

Os resultados mostram uma relação inversamente proporcional entre a taxa de transmissão (chamada tecnicamente de R0) e os índices de temperatura e umidade em escala global. Dessa forma, as taxas de transmissão mais altas foram associadas a temperaturas e umidade mais baixas.

A partir desse primeiro resultado, os especialistas investigaram, com o uso de modelos computacionais, como essa associação entre clima e doença evoluiu ao longo do tempo e em diferentes escalas geográficas.

Segundo o estudo, as primeiras ondas da epidemia diminuíram conforme a temperatura e a umidade aumentaram. Por outro lado, a segunda onda aumentou conforme a temperatura e a umidade diminuíram.

Durante o verão, esse padrão foi interrompido em todos os continentes. De acordo com o estudo, uma possível explicação está em fatores como a concentração de jovens, aumento do turismo e uso do ar condicionado no período.

No que diz respeito ao hemisfério Sul, onde os primeiros registros do vírus aconteceram mais tarde em relação aos países do hemisfério Norte, os impactos da temperatura foram mais pronunciados entre 12°C e 18°C e baixos níveis de umidade absoluta (entre 4 e 12 gramas por metros cúbicos).

“Nossos resultados, até o momento, classificam a Covid-19 como uma infecção sazonal de baixa temperatura e sugerem uma importante contribuição da via aérea na transmissão do SARS-CoV-2, com implicações para as medidas de controle”, diz o artigo.

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