Cidade do Rio de Janeiro tenta acelerar a vacinação e flexibilizar uso de máscara

A expectativa da prefeitura é de chegar aos 65% da população geral imunizada na próxima terça-feira (26)

Vacinação contra a Covid-19 no Rio de Janeiro
Vacinação contra a Covid-19 no Rio de Janeiro Douglas Lopes/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Isabelle Salemeda CNN

no Rio de Janeiro

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A prefeitura do Rio de Janeiro espera poder liberar o uso de máscaras em locais abertos e sem aglomeração na próxima terça-feira (26). Para isso, é necessário alcançar os 65% da população geral com ciclo de vacinação completo, com dose única (Janssen) ou duas doses contra a Covid-19.

“Tem duas possibilidades. As pessoas não se vacinarem, não procurarem os postos, o que a gente acha difícil, a gente acha que as pessoas venham se vacinar. E a falta de doses. Então essas duas possibilidades podem acontecer e gerar um atraso, que a gente espera que não seja grande nesse processo de reabertura”, disse à CNN o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

Até a noite desta quinta-feira (21), 62% da população total, o correspondente a 4.186.929 pessoas, já estão totalmente imunizadas contra a doença. Além disso, 5.722.801 cariocas tomaram apenas a primeira dose.

Para avançar na campanha, a Secretaria Municipal de Saúde tem facilitado o acesso aos 280 postos. Quem perdeu a data da segunda dose pode ir ao local onde tomou a primeira a qualquer dia, sem precisar esperar a repescagem. O mesmo acontece para população acima de 12 anos que ainda não se vacinou. Uma busca ativa está sendo feita para encontrar essas pessoas.

“Cada unidade, esse mês, fez uma série de ações em torno da busca ativa, vacinando em pontos externos ao seu território. Vacinaram nas estações de BRT, na estação de metrô, em locais de muita circulação de pessoas. Isso vai continuar acontecendo ao longo do mês, mas a cada unidade de saúde vai definir no seu território, qual a melhor estratégia para buscar as pessoas que ainda não tomaram a segunda dose e que precisam tomar”, detalhou Soranz.

Dose de reforço

Depois de cinco dias de paralisação por falta de imunizantes, a dose de reforço voltou a ser aplicada na quinta-feira, quando se chegou à marca de 525.483 aplicações em idosos e pessoas com alto grau de imunossupressão.

“A nossa maior preocupação era ter que adiar o calendário da dose de reforço. Infelizmente, aconteceu. A gente adiou em 5 dias o calendário por falta de vacina. A gente tem que trabalhar ao máximo para que não tenha novos adiamentos”, disse Soranz, que calcula que sejam necessárias mais 800 mil doses para o reforço desses grupos.

Cenário epidemiológico favorável

A 42ª edição do Boletim Epidemiológico Covid-19 do Rio, divulgado nesta sexta-feira (22), mostra a manutenção da tendência de queda no número de casos notificados por Covid-19 e nos atendimentos na rede de urgência e emergência por síndrome gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na capital.

Segundo o levantamento, todos os índices apresentam as menores taxas desde o início da pandemia, em março de 2020. A fila por leitos está zerada e 196 pessoas estão internadas na rede pública municipal como a doença. Esse número, chegou a ser maior do que 1.400 pacientes nos períodos mais críticos da pandemia.

“A gente já tem um cenário epidemiológico muito positivo, a gente quer avançar um pouquinho mais nesse calendário vacinal com segunda dose, 65% da população e 80% dos adultos vacinados com primeira e segunda dose. Gradativamente, como os números vem melhorando muito, cada vez está mais seguro para manter as nossas etapas de reabertura”, avalia o secretário.

Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, pela quinta semana seguida, o mapa de risco mostra toda a cidade com risco moderado de transmissão por coronavírus.

Em 2021 são 271.853 casos e 15.660 mortes pela doença. A taxa de letalidade deste ano está em 5,8%, contra 8,8% em 2020; e a de mortalidade, em 235,1 a cada 100 mil habitantes, contra 286,3/100 mil no ano passado. Apesar disso, a incidência da Covid-19 é maior em 2021 (4.081/100 mil, quando em 2020 era de 3.247,8/100 mil).

Eventos-teste

Dez eventos-teste, dos 29 autorizados pela prefeitura, já completaram o prazo de 14 dias para monitoramento do público presente. Foram sete jogos de futebol e três festas particulares. Para entrar nos locais, as pessoas precisaram estar testadas e vacinadas. Nas comemorações, duas pessoas testaram positivo e não puderam entrar no evento. Já nas partidas, foram 152 barrados.

O documento mostra o resultado do monitoramento da partida de futebol entre Fluminense e Fortaleza, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. Após os 14 dias, foram registrados sete casos suspeitos e um confirmado de infecção por coronavírus. Todos os contaminados apresentaram sintomas leves. Metade deles tinha tomado apenas uma dose de vacina.

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