Covid-19: Einstein anuncia teste capaz de analisar 1500 amostras ao mesmo tempo

Segundo o hospital, os exames não apresentam casos de falso-positivo de Covid-19 e podem ajudar na testagem em massa no Brasil

Anthony Wells da CNN

em São Paulo

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O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, anunciou nesta quinta-feira (21) um teste para o novo coronavírus capaz de analisar mais de 1500 amostras ao mesmo tempo, uma alternativa para a testagem em massa.

Este é o primeiro exame do mundo de diagnóstico do novo coronavírus baseado em Sequenciamento de Nova Geração (NGS, na sigla em inglês) com 100% de especificidade – ou seja, não apresenta casos de falso-positivo.

A precisão dessa técnica é equivalente à apresentada pelo método convencional, o RT-PCR, porém com uma capacidade de processamento 16 vezes maior. O RT-PCR tem a capacidade de analisar 96 amostras ao mesmo tempo. Já o NGS, até 1.536 amostras simultaneamente.

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A coleta da amostra é feita por meio de hastes flexíveis estéreis, chamadas de swab, em contato com a região nasal ou saliva, como o RT-PCR.

O teste surge, de acordo com o hospital, como uma alternativa mais confiável para a testagem em massa, já que a única opção no momento é o teste rápido, que possui uma taxa aproximada de 30% de falsos-negativo.

Para a realização do teste, é necessário uma máquina de sequenciamento genético, que já está disponível nas unidades do Einstein no Brasil. Os testes estarão disponíveis nas próximas semanas.

A maioria dos planos cobre o PCR, mas não o teste rápido, e ainda não há previsão de cobertura do teste NGS. O resultado do teste NGS leva, em média, 72 horas para sair, em comparação com as seis horas do PCR, mas por ser um teste com o volume de processamento muito maior, ele se apresenta como a melhor alternativa para a testagem em massa.

O teste rápido custa em torno de R$ 350. Já o PCR, cerca de R$ 250. Segundo especialistas do Einstein, mesmo sem cobertura de um plano de saúde por enquanto, o teste NGS deve ser mais barato que o PCR.

Em entrevista à CNN, Cláudio Terra,diretor de Inovação e Transformação Digital do hospital, explicou como funcionará a testagem e afirmou que com o novo procedimento, a doença pode ser diagnosticada no primeiro dia de infecção.

“Esse teste faz diagnóstico de forma tão apurada quanto ao ‘padrão ouro’ – o PCR.  O teste está 100% validado cientificamente e estamos organizando a linha de produção e já no início de junho começaremos a realizar estes testes. A grande vantagem dele é que você consegue fazer um volume de testes muito maior.  Ele custará menos, será mais eficiente e poderá diagnosticar a doença no primeiro dia de infecção.”, explica.

“Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o hospital realizou cerca de 55 mil testes. De acordo com Cláudio, com essa nova metodologia, serão feitos 24 mil testes por semana. “A grande questão não é nem a rapidez e sim a escalabilidade.  Você consegue colocar um volume de produção muito maior que as técnicas que já conhecemos. E essa é uma inovação tecnológica de cáter mundial.”, afirmou Terra.

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