Covid-19 exige atenção especial ao longo da segunda semana de infecção
Especialistas alertam para agravamento dos sintomas entre o quinto e décimo dia da doença

Conhecida por se manifestar de maneira imprevisível de uma pessoa para outra, a Covid-19 costuma seguir um ciclo padrão que dura em média 14 dias. Embora a maioria dos pacientes apresente melhoras após a primeira semana, o conselho unânime entre especialistas é que as pessoas – inclusive aquelas fora do grupo de risco – mantenham o estado de alerta nos dias seguintes. Muitos dos casos mais severos costumam se agravar entre o quinto e o décimo dia após os primeiros sinais da doença.
Ironicamente, esse agravamento é decorrência do esforço do corpo para derrotar a infecção. “Nessa fase mais tardia, o vírus quase desaparece do sangue, porque o organismo tenta combatê-lo, mas o sistema de defesa está tão fragilizado que começa a agredir o próprio corpo”, explica o Dr. Renato Grinbaum, infectologista da Rede D’Or São Luiz.
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Em caso de sintomas como falta de ar, febre alta e dores no peito, os especialistas não deixam dúvidas: procure um médico. “Essa piora pode propiciar internação, intubação ou um comprometimento de maior gravidade”, esclarece o Dr. Álvaro Furtado Costa, infectologista do HC-FMUSP e do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, complementando que é necessário fazer uma tomografia para avaliar o tamanho do problema. A quem apresentar falta de ar, o especialista também recomenda poupar esforços físicos.
Mas vale destacar que – com ou sem sintomas, grupo de risco ou não, nos primeiros dias ou na fase final – a Covid-19 precisa ser observada de perto. A dica do Dr. Grinbaum é fazer anotações diárias em um caderno, desde o primeiro indício da doença. “Acompanhar a febre é importante, mas o nível da saturação de oxigênio é mais significativo”, explica. Segundo ele, o índice de oxigênio no sangue pode estar baixo sem que a pessoa sinta falta de ar, condição conhecida como hipóxia silenciosa e que pode atrapalhar a identificação de um caso grave de Covid-19.
E como medir a saturação do conforto do lar? Para quem tem a opção de comprar, o oxímetro de pulso, também conhecido como “saturômetro”, é a escolha mais confiável. Também é possível encontrar aplicativos de celular que fazem esse trabalho, mas a eficácia destes serviços nunca foi comprovada. O importante é se atentar ao nível da saturação. Se ela estiver abaixo de 94%, o imperativo é, mais uma vez, procurar um médico.
Quem passa do 14º dia de infecção sem grandes problemas tem altas chances de se recuperar bem da Covid-19. Mas, como a doença ainda é capaz de trazer grandes surpresas, nenhuma observação e cuidado são demais. O Dr. Furtado atenta para o caráter de “doença espectral” causado pelo vírus, que pode ir de um perfil assintomático a uma variedade de manifestações clínicas, inclusive além da via respiratória, afetando até o sistema gastrointestinal.
Com a aproximação das festas de fim de ano e o número crescente de casos entre jovens, os especialistas reforçam a lembrança de que o Covid-19 não deve ser uma preocupação apenas dos grupos de risco, mas de pessoas de qualquer faixa etária e condições de saúde.