Covid-19: Fiocruz alerta para aumento de casos e mortes com chegada do inverno

Boletim epidemiológico mostra pequeno aumento nas taxas no período de 30 de maio a 12 de junho: média de 67 mil novos casos diários e de 2 mil mortes

Profissionais atende paciente na UTI-Covid do hospital de campanha na zona norte de São Paulo
Profissionais atende paciente na UTI-Covid do hospital de campanha na zona norte de São Paulo Foto: Mister Shadow/ASI/Estadão Conteúdo (31.mai.2021)

Isabelle Resende, da CNN, no Rio de Janeiro 

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Com quase meio milhão de mortes provocadas pela Covid-19 no Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fez na quinta-feira (17) um alerta sobre o agravamento da pandemia, com a chegada do inverno, que começa na próxima segunda-feira (21).  

De acordo com o último boletim epidemiológico, houve um pequeno aumento nas taxas de casos novos e mortalidade no Brasil, no período de 30 de maio a 12 de junho. Nesse período, o país apresentou uma média de 67 mil casos e de 2 mil mortes por dia.

As regiões Sul e Centro-Oeste são as mais preocupantes devido ao aumento na taxa de mortalidade, que pode se agravar nos próximos dias, com a maior incidência de outras doenças respiratórias que se manifestam na estação mais fria do ano.   

As taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que o quadro geral ainda é considerado crítico. Dezoito estados e o Distrito Federal apresentam taxas de ocupação de pelo menos 80%, sendo que em 8 deles essas taxas são iguais ou superiores a 90%. 

Em relação às capitais, 16 delas estão com taxas de ocupação de pelo menos 80% e 9 com taxas iguais ou superiores a 90%. 

Foi observado também um aumento em torno de 3% na taxa de letalidade. Os maiores índices foram observados no Rio de Janeiro (5,1%), Maranhão (3,7%) e São Paulo (3,7%).   

Segundo o levantamento, os valores elevados de mortalidade revelam falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde nesses estados, como a insuficiência de testes, de triagem de infectados e seus contatos; na identificação de grupos vulneráveis, bem como a incapacidade de detectar e tratar adequadamente os casos graves de Covid-19 

A análise mostra também que a tendência do rejuvenescimento da pandemia se mantém. A idade média dos casos de internação está entre 52,5 anos. A faixa etária dos 50 anos corresponde a 50% dos casos de internação nas últimas duas semanas.  Já a idade média de mortes ficou em 61,2 anos.  

“Possivelmente o cenário atual de rejuvenescimento prosseguirá e poderá perpetuar um cenário obscuro de óbitos altos até que este grupo etário esteja devidamente coberto pela vacina. O padrão de transmissão do Sars-CoV-2 no país ainda é extremamente crítico”, afirmam os pesquisadores. 

Enquanto isso, o ritmo de vacinação segue lento no país, com apenas 15% de pessoas vacinadas com o esquema vacinal completo, ou seja, que receberam as duas doses da vacina contra a covid.

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