Covid-19: uma a cada cinco pessoas procurou ajuda para tratar saúde mental

Ansiedade e depressão foram os transtornos mais registradas durante a pandemia

Ansiedade foi citada por seis em cada dez entrevistados de pesquisa (27.abr.2020)
Ansiedade foi citada por seis em cada dez entrevistados de pesquisa (27.abr.2020) Foto: Nik Shuliahin/Unsplash

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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Um levantamento inédito do Instituto de Tecnologia Ipec, divulgado nesta quinta-feira (2), aponta que um a cada cinco brasileiros procurou ajuda especializada para tratar a saúde mental durante a pandemia de Covid-19.

A pesquisa, encomendada pela farmacêutica Pfizer, foi feita em conjunto com a Associação Brasileira de Familiares e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) e ouviu 2 mil pessoas em cinco capitais brasileiras.

O estudo revela que 16% dos entrevistados relataram sofrer de ansiedade e 8% depressão durante a pandemia do novo coronavírus. Outros 3% dos participantes desenvolveram síndrome do pânico e 2% fobia social.

Os entrevistados ainda relataram ter crise de choro, irritação, tristeza, angústia e insônia nesse período. Cerca de 11% ainda estão em acompanhamento médico.

“Este é um cenário que vem sendo apontado desde março de 2020 e, por isso, merece acompanhamento, já que continuamos no enfrentamento da pandemia. Obtivemos muitos avanços com o desenvolvimento e com a aplicação da vacina, mas sabemos que precisamos olhar para o corpo e para a mente já que o coronavírus causou e causa marcas em todos nós”, destaca um trecho da pesquisa.

Os jovens foram os mais afetados por problemas mentais, em comparação com as outras faixas etárias, segundo o levantamento. Metade dos entrevistados, entre 18 e 24 anos, classificaram como ruim a saúde mental durante a pandemia e 11% consideraram a situação “muito ruim”.

O pesquisador do departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Michel Haddad, afirma que a ampliação dos cuidados aos pacientes que sofrem com algum problema mental precisa ser prioridade no Brasil. E destacou que essas doenças precisam ser levadas a sério no país, já que muitas vezes são menosprezadas pelas pessoas.

“Os índices mostram que as estratégias para ampliação dos cuidados em saúde mental é prioridade inegável. Devemos concentrar esforços para oferecer diagnósticos mais precoces e tratamentos adequados. Mais do que isso, devemos desenvolver e implementar ações efetivas de prevenção, começando pela diminuição do estigma relacionado aos transtornos mentais”, destacou o pesquisador da UNIFESP.

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