“Covid causa processo inflamatório intenso”, diz CEO de hospital sobre sequelas

Lentificação na memória, fraqueza muscular e até um AVC a curto prazo são consequências da pós-infecção, observa a CEO da rede São Camilo, Aline Thomaz

Produzido por Thiago Félix, da CNN em São Paulo

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As sequelas observadas em pacientes pós-infecção pela Covid-19 ainda estão em estudo e se comportam de maneira diferente em cada indivíduo. Há pessoas que se recuperam plenamente em seis meses enquanto outras levam nove, mas ainda há aquelas que após um ano ainda não se recuperaram completamente.

Presidente da rede de hospitais São Camilo, em São Paulo, Aline Thomaz diz que o vírus da Covid-19 é capaz de provocar uma inflamação que atinge todo o corpo.

“Este vírus tem uma relação com um processo inflamatório extremamente intenso. O vírus cria uma inflamação tão grande que é capaz de atingir tudo o que temos em nosso corpo, tem sangue”, diz a executiva.

Ela destaca que os vasos sanguíneos passam por esta inflamação craindo coágulos, que são chamados de êmbolos e tudo isso vai se disseminando.

“O vírus gruda, como se fossem pequenas bolinhas, e vai entupindo as artérias e as veias. Por isso, a Covid tem muito relação com trombose pulmonar e com a trombose em qualquer parte do corpo, inclusive o cérebro, causando o AVC”, explica.

Aline ainda diz que os mecanimos mais agressivos ao organismo estão sendo estudados para entender o porquê das sequelas persistirem ou se algumas poderiam ser irreversíveis. 

Em relação a perda do olfato e paladar, Aline diz que em média levam-se seis meses para as pessoas voltarem a sentir cheiro e gosto, mas não se sabe se retorna exatamente como era antes da infecção. “A intensidade com que sentiam pode ser menor”, afirma.

Outra lesão observada por parte dos pacientes diz respeito à capacidade de acessar memórias e a lentificação dopensamento.

“É como se elas estivessem desenvolvendo, em função da Covid, o que a gente chama de Comprometimento Cognitivo Leve. A memória fica mais devagar. Eu não consigo retomar aquela memória tão ágil, tão eficaz como eu fazia antes da doença. O quanto isso vai se manter, a gente ainda sabe. Essa é uma questão que causa angústia”, acredita.

Ceo da Rede São Camilo, de São Paulo
CEO da Rede São Camilo, de São Paulo, Aline Thomaz.
Foto: Reprodução / CNN

Entre os jovens, que são a maioria dos infectados neste momento da pandemia de Covid-19 no Brasil, a maior queixa se refere à fraqueza muscular. No período pór-Covid, eles se cansam muito rápido e a reabilitação é lenta.

“Eu tenho uma residente que teve Covid-19 há um ano e ela segue até hoje com este mesmo problema que é a diminuição da capacidade do desempenho físico. Sobe uma escada e já se cansa”, conta Aline. “A mialgia, essa diminuição de força e até mesmo a dor muscular são persistentes”.

Como solução, Aline Thomaz enfatiza a necessidade de se reabilitar através de exercícios físicos. “Enquanto a gente não sabe os mecanismos neurológicos efetivos disso tudo, é importante a gente se reabilitar. Precisamos nos organizar para que as pessoas se exercitem, para que essa capacidade que nosso cérebro tem para se restabelecer seja amplamente usada”, conclui.

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