Crianças acima de 2 anos devem usar máscara o tempo todo nas escolas, diz SBIm

À CNN, Renato Kfouri sugere que escolas eduquem as crianças para hábitos que evitem ou que reduzam a transmissão

Ludmila Candal e Layane Serranoda CNN

em São Paulo

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As redes estaduais de educação do Rio de Janeiro e de São Paulo já anunciaram o retorno às aulas presenciais após a paralisação provocada pelo descontrole da pandemia da Covid-19. Autoridades sanitárias e da educação avaliam que, com a redução do número de novos casos e o avanço da vacinação, este é o momento certo para retornar. O infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, concorda com esta análise e acrescenta quais protocolos devem ser mantidos ainda que a estrutura de alguns colégios não esteja 100% preparada. À CNN, ele disse que o uso de máscara continua sendo item obrigatório.

“Crianças acima de dois anos devem usar máscara o tempo todo, só tirar para se alimentar, essa é a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria.” Ele diz ainda que mesmo sendo menos transmissoras, as crianças têm, sim, a possibilidade de levar o vírus para outros colegas.

É por essa razão que os responsáveis devem ficar atentos à saúde das crianças, não permitindo que elas frequentem as classes se estiverem com suspeita de contaminação.

“Criança que está com febre, tosse, dor de garganta, ou, no caso do adolescente, perdeu o olfato, não deve ir para a escola, essa é a recomendação que a gente faz para os pais, e ela deve ser testada.” De acordo com Kfouri, é possível fazer a testagem gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde.

Durante a entrevista, o infectologista comentou sobre a discrepância entre a infraestrutura das escolas do país. “Quando a gente assume que o Brasil deve voltar a aulas presenciais 100% obrigatória, como é o ensino no Brasil, nós estamos assumindo que em muitas realidades estamos abrindo mão do distanciamento.”

Ainda assim, ele entende que é possível um retorno seguro adicionando medidas aos cuidados da escola. Kfouri cita alguns pontos: uso de máscara, higiene frequente das mãos, alfabetização sanitária — que é conversar e educar a criança para hábitos que evitem ou que reduzam a transmissão –, não compartilhar objetos e brinquedos.

O médico sugere que na hora do lanche, quando será preciso retirar as máscaras, o ideal é procurar manter o distanciamento. Também é preciso evitar jogos que exijam contato próximo na hora do recreio. Os horários de entrada, intervalo e saída também devem ser planejados pelas escolas a fim de evitar aglomerações.

*Sob supervisão de Layane Serrano

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