Documentação é o principal obstáculo para importação da Sputnik, diz pesquisador

O pesquisador da Fiocruz Julio Croda afirmou à CNN que, caso a vacinação não avance, uma nova onda da Covid-19 pode chegar ao país na metade do ano

Produzido por Vinícius Tadeu*, da CNN, em São Paulo
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O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), infectologista e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) Julio Croda afirmou, em entrevista à CNN nesta segunda-feira (26), que o principal obstáculo para a aprovação da importação da Sputnik V pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é a falta de documentação.

Para o professor, para agilizar o lento ritmo de imunização da população no Brasil, é necessário, entre outros pontos, que se alinhe o trâmite burocrático à urgência da situação provocada pela pandemia.

"Temos que encontrar um acordo. De alguma forma precisamos entender que talvez a burocracia deva conversar melhor com a necessidade de vacinar o maior número de pessoas possível", disse o pesquisador.

A Anvisa analisa o pedido de compra do imunizante russo contra a Covid-19 nesta segunda-feira (26). Segundo Croda, apesar dos dados de eficácia e segurança do medicamento já publicados, a agência requer outros documentos. 

"Há uma dificuldade do Fundo Soberano Russo de encaminhar essas documentações. É importante entender que é um laboratório estatal e não comercial", afirmou o pesquisador. 

Croda ainda alertou para uma possível alta de novos casos da doença no país na metade do ano caso a campanha de vacinação não avance. 

"No ritmo lento em que estamos, a terceira onda vai acontecer em junho/julho. Na medida em que flexibilizamos todas as restrições, as transmissões vão aumentar e, com essa baixa vacinação, a tendência é do aumento do número de casos em dois meses."

Vacina russa Sputnik V será produzido no Brasil pelo laboratório União Química
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Foto: Adriana Toffetti/A7 Press/Estadão Conteúdo

(*sob supervisão de Elis Franco)