Dor nas costas que não passa? Pode ser câncer espalhado na coluna

Quando a dor não melhora com repouso e vem acompanhada de outros sinais, a investigação neurológica e oncológica é fundamental

Brazil Health
Dor nas costas persistente pode ser sinal de alerta para metástase de câncer  • Witthaya Prasongsin/Getty Images
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A dor nas costas é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos e, na maioria das vezes, está relacionada a problemas musculares ou degenerativos. No entanto, em pacientes com histórico de câncer – ou mesmo sem diagnóstico prévio –, a dor persistente na coluna pode ser um sinal de alerta de metástase vertebral.

Esse tipo de comprometimento ocorre quando células tumorais se espalham para a coluna, podendo causar dor intensa, fraturas e até déficits neurológicos, se não for identificada a tempo.

O que é metástase na coluna e por que ela ocorre

A metástase na coluna acontece quando células cancerígenas de um tumor primário se disseminam pela corrente sanguínea ou linfática e se instalam nas vértebras. Cânceres de mama, próstata, pulmão, rim e mieloma múltiplo estão entre os que mais frequentemente acometem a coluna vertebral.

As vértebras são um local comum para metástases porque possuem rica vascularização e medula óssea ativa. Com o crescimento do tumor, o osso pode se tornar frágil, aumentando o risco de fraturas patológicas e compressão da medula espinhal ou das raízes nervosas. Em muitos casos, a metástase vertebral é o primeiro sinal de uma doença oncológica ainda não diagnosticada.

Sintomas que não devem ser ignorados

O sintoma mais comum é a dor nas costas persistente, que tende a piorar à noite ou em repouso e não melhora com analgésicos simples. Diferentemente da dor mecânica, ela costuma ser contínua e progressiva. Outros sinais de alerta incluem perda de força ou sensibilidade nos braços ou pernas, dificuldade para caminhar, formigamento, alterações no controle urinário ou intestinal e perda de peso inexplicável.

Em situações mais graves, a compressão da medula espinhal pode levar a déficits neurológicos rápidos e irreversíveis. Por isso, qualquer paciente com histórico de câncer que apresente dor lombar, torácica ou cervical persistente deve ser avaliado com rapidez. A agilidade no diagnóstico faz diferença direta no prognóstico e na preservação da função neurológica.

Diagnóstico e tratamento: foco em qualidade de vida

O diagnóstico da metástase na coluna é feito por meio de exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia, que permitem avaliar a extensão da lesão e o grau de compressão neurológica. Em alguns casos, biópsias ajudam a confirmar a origem do tumor.

O tratamento é individualizado e envolve uma abordagem multidisciplinar, com participação de oncologistas, radioterapeutas e neurocirurgiões. A cirurgia pode ser indicada para estabilizar a coluna, aliviar compressões neurológicas e reduzir a dor, especialmente quando há risco de fratura ou perda neurológica. Radioterapia e tratamentos sistêmicos também desempenham papel fundamental no controle da doença.

Mais do que tratar a lesão, o objetivo é preservar a mobilidade, aliviar o sofrimento e manter a autonomia do paciente. Com técnicas cirúrgicas modernas e planejamento adequado, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida, mesmo em contextos oncológicos avançados.

Dor nas costas que não cede, especialmente em pacientes com câncer ou sinais sistêmicos, não deve ser subestimada. A metástase na coluna exige diagnóstico rápido e decisão terapêutica precisa. Identificar o problema precocemente pode significar menos dor, mais independência e melhor cuidado ao longo do tratamento.

*Texto escrito pelo neurocirurgião Baltazar Leão, professor adjunto do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG (CRM-MG 44033)