‘É impossível vacinar todos os brasileiros este ano’, diz ex-coordenadora do PNI

Em entrevista à CNN Rádio, a epidemiologista Carla Domingues afirmou que as medidas sanitárias são essenciais enquanto houver falta de vacinas contra a Covid-19

Vacinação contra a Covid-19 na Marquês de Sapucaí (22.abr.2021)
Vacinação contra a Covid-19 na Marquês de Sapucaí (22.abr.2021) Foto: Reprodução / CNN

Amanda Garcia, da CNN, em São Paulo

Ouvir notícia

O Brasil não será capaz de vacinar toda a população contra a Covid-19 ainda no ano de 2021. Esta é a avaliação da epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI), Carla Domingues, em entrevista à CNN Rádio nesta segunda-feira (26). 

“É impossível, por essa quantidade de vacina e pelo ritmo que estamos”, disse Carla Domingues. Ela explicou que são 150 milhões de brasileiros acima de 18 anos que precisariam de duas doses, ou seja, 300 milhões de doses precisariam estar disponíveis. 

A epidemiologista explicou o cálculo: “Se estamos entregando em torno de 20 milhões de doses, não é o suficiente para chegarmos no final do ano com esse quantitativo de pessoas vacinadas.” 

A ex-coordenadora do PNI reforçou que, mais do que nunca, as medidas sanitárias são essenciais: “Vamos precisar garantir as outras medidas de distanciamento social, de lavar as mãos adequadamente, uso de álcool em gel e, principalmente, o uso de máscaras.” 

Outro fator importante neste momento, para Carla Domingues, é a produção nacional do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA). No momento, o país não possui a tecnologia e depende da importação.

“Temos que entender que ainda teremos problemas no segundo semestre, a gente depende da produção do IFA aqui no Brasil, tanto pelo Instituto Butantan, quanto por Bio-Manguinhos, ainda não temos clareza de que eles vão conseguir produzir, para termos independência”, completou. 

Carla ainda defendeu que deveria haver alternativas: “Temos um plano B? Os laboratórios da China vão continuar mandando os insumos? Ainda temos questões não respondidas.”

Mais Recentes da CNN