Em quatro dias, 11 pacientes morrem à espera de leitos para Covid na Grande SP

Taboão da Serra, cidade da Grande São Paulo, diz que governo estadual tem negado pedidos de transferência para hospitais próximos desde o início do mês

Tiago Américo,

da CNN, em São Paulo

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Pacientes com Covid-19 morreram à espera de vagas de leitos de UTI em Taboão da Serra, cidade da Grande São Paulo. Nos últimos quatro dias, 11 pessoas que não conseguiram vagas para internação no sistema público de saúde e morreram; nove eram idosos.

A cidade alega que só nessa terça-feira (9) conseguiu transferir quatro pacientes graves para hospitais de outras cidades do estado. 12 pessoas ainda estão na fila esperando por uma vaga.

Taboão da Serra, cidade de quase 300 mil habitantes, foi a primeira de São Paulo a registrar mortes por falta de leitos para a Covid-19. A secretária adjunto de Saúde, Thamires May, diz que o município fez 27 solicitações de transferência de pacientes para o estado desde o dia 3 de março. “A nossa preocupação é com o possível agravamento de casos e não temos estrutura de alta complexidade”, afirma.

A situação da pandemia na cidade é crítica. O próprio secretário de Saúde, José Alberto Tarifa, já teve a doença duas vezes. De acordo com a prefeitura, todos os casos de Covid-19 são atendidos nas UPAs do município, onde não há nenhum leito de UTI. O tratamento dos pacientes é feito apenas em leitos comuns com suporte ventilatório e enfermarias. Todos os casos graves são cadastrados em um sistema e transferidos para hospitais próximos.

O sistema é conhecido como Cross, a Central de Regulação e Ofertas de Serviços de Saúde, gerida pelo governo do estado. Uma vez cadastrados na Cross, os pacientes entram numa fila para serem encaminhados aos hospitais capazes de atender cada caso. A Secretaria de Saúde da prefeitura disse que há um colapso na Cross e que desde o dia 3 de março todas as solicitações de transferências de pacientes foram negadas.

Atendimento médico em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes de Covid
Atendimento médico em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes de Covid-19
Foto: Mister Shadow/Estadão Conteúdo

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que a Central de Regulação e Ofertas de Serviço de Saúde não negou vagas para o município de Taboão da Serra. Segundo a secretaria, o papel da central não é criar leitos, mas auxiliar na identificação de vagas no serviço de saúde mais próximo do paciente e que seja compatível com cada caso.

A secretaria afirmou ainda que o estado atua de forma regionalizada e que a criação de leitos não é prerrogativa desta única esfera, que cabe também ao município e ao governo federal.

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