Emílio Ribas é 1º hospital referência de SP a ter UTI 100% ocupada por COVID-19

Nas próximas duas semanas, o instituto deve ganhar mais 20 leitos para o atendimento exclusivo de infectados pelo novo coronavírus

André Rosa e Talis Mauricio, da CNN, em São Paulo

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O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, ligado à rede pública de saúde de São Paulo, atingiu 100% da ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nesta quarta-feira (15). É a primeira unidade referência do estado a apresentar saturação de vagas para o tratamento de pessoas com o novo coronavírus. 

Ao todo, o instituto conta com 30 leitos. A ocupação total se deu enquanto a Secretaria Estadual de Saúde divulgava o balanço de casos no estado, e pegou de surpresa até mesmo o coordenador do Centro de Contingenciamento da COVID-19, o médico infectologista David Uip.

“O diretor do Emílio Ribas acaba de informar que há 100% de ocupação dos leitos de UTI do hospital”, disse Uip durante entrevista coletiva.

Segundo Uip, a ideia é que nas próximas duas semanas o instituto implante mais 20 leitos para o atendimento exclusivo de infectados por coronavírus.

Em entrevista à CNN, o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Luiz Carlos Pereira Júnior, explicou que as vagas na UTI da unidade, antes da pandemia, eram destinadas para pessoas com doenças infectocontagiosas como HIV, tuberculose, meningite, dengue, leptospirose, entre outras. Agora, os leitos de UTI estão totalmente reservados para o atendimento de pessoas com coronavírus.

O diretor demonstra preocupação com a situação da rede pública de saúde no estado.

“É o primeiro hospital que atinge [100% de ocupação da UTI], mas eu tenho a impressão de que rapidamente teremos outros atingindo também. Se observarmos os dados apontados pelo governo, eles já sinalizam que estamos com uma taxa de ocupação de leitos [nos hospitais públicos] de mais de 80%”. 

As enfermarias do Emílio Ribas, que recebem casos de COVID-19 de menor complexidade, estão com 80% de ocupação. Os pacientes que estavam internados na unidade com outras doenças foram transferidos para hospitais da região.

A situação não é muito melhor em outros seis grandes hospitais públicos da capital paulista e da Grande São Paulo. Em todos eles, a ocupação dos leitos gerais está acima dos 80%. O Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, por exemplo, outra referência no atendimento público da rede de saúde, também apresenta saturação. Segundo o governo, 83% das UTIs da unidade e 73% das enfermarias estão ocupadas.

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