Entenda como é calculada a taxa de eficácia das vacinas

Organização Mundial da Saúde (OMS) considera segura vacina com mais de 50% de eficácia; entenda o processo

da CNN, em São Paulo

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O Instituto Butantan marcou para esta terça-feira (12) uma coletiva de imprensa em que promete divulgar novos dados relacionados aos estudos da fase três dos testes clínicos da Coronavac, vacina contra a Covid-19 produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Entre as informações que devem ser anunciadas está a taxa global de eficácia do imunizante, que vem sendo cobrada pela comunidade científica.

Na semana passada, o governo do estado de São Paulo anunciou que a Coronavac tem 78% de eficácia para casos leves da doença e 100% para casos graves e moderados. 

Em entrevista à CNN, a infectologista Denise Garret explicou que, quanto menor for a taxa de eficácia global de uma vacina, mais pessoas vão precisar ser vacinadas para atingir a imunidade de rebanho. 

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“Se eu tenho uma eficácia de 95%, posso vacinar 50% da população para atingir a tal da imunidade coletiva e, assim, poder parar a transmissão do vírus. Se eu tenho uma vacina de 50% de eficácia, eu preciso vacinar quase 100% da população para parar a transmissão do vírus”, disse.

Mas, afinal, como é calculada a taxa global de eficácia de uma vacina? Veja a seguir:

Imagine que 10 mil voluntários estão participando da fase de testes clínicos de um imunizante. Cinco mil recebem a vacina e cinco mil recebem o placebo – geralmente, o estudo é dividido em grupos iguais -, totalizando 10 mil voluntários.  

A partir daí, são coletados os dados de quem ficou doente. Às vezes, o estudo inclui dados de pessoas que não só adoeceram, mas tiveram o caso moderado, grave ou até perderam a vida pela doença.

Voltando para o exemplo: daquelas 5 mil pessoas que tomaram a vacina, suponhamos que 130 ficaram doentes (de forma leve, moderada, grave ou vieram a óbito). 

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No caso de quem recebeu o placebo, 470 ficaram doentes. Portanto, a taxa de incidência da doença nas pessoas que receberam o imunizante foi de 2,6%, e naquelas que receberam o placebo de 9,4%.

Para medir, finalmente, a eficácia da vacina, é preciso comparar a incidência entre quem recebeu a vacina e quem recebeu o placebo. A conta é: 1 – 0,026 dividido por 0,094 = 0,72. 

Portanto, a taxa de eficácia do imunizante em questão é de 72%. 

(Publicado por Daniel Fernandes)

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