Entenda o que acontece no cérebro humano no momento da morte

Pesquisadores conseguiram analisar, pela primeira vez, imagens cerebrais exatamente na hora da morte de um paciente

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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Quem nunca ouviu falar que no momento da morte vemos um filme diante dos nossos olhos? Uma pesquisa realizada por um grupo de especialistas de diversos países apontou que o conhecimento popular pode ter um fundo de verdade.

Os pesquisadores conseguiram analisar, pela primeira vez, imagens de um cérebro exatamente na hora da morte. O paciente, de 87 anos, tinha epilepsia e estava realizando um exame de eletroencefalografia quando teve um ataque cardíaco fulminante.

A pesquisa levou em consideração apenas dados de um paciente. Além disso, a epilepsia já havia danificado o cérebro do idoso. Mais pesquisas são necessárias para verificar se o cenário acontece amplamente entre a população. Os achados foram publicados no periódico científico Frontiers in Aging Neuroscience.

Na edição desta quarta-feira (16) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou os diferentes mecanismos envolvidos no cérebro durante o fim da vida.

“[No estudo] foi possível captar instantes antes e depois do momento da morte desse paciente. O que se notou é que 15 segundos antes e depois houve oscilações gama. Então acaba sendo um ritmo de funcionamento eletroencefalográfico bastante alto, com mais de 32 hertz de frequência”, afirma Gomes.

Responsáveis pela atividade sincronizada dos neurônios, as ondas gama também são associadas a fatores como a memória, meditação e aos sonhos humanos. O neurocirurgião explica que durante a fase de sono REM (rapid eye movement, em inglês), em que há um relaxamento do corpo e alta atividade cerebral, essas ondas de alta frequência podem ser captadas.

“Isso mostra uma possibilidade para aquela ideia que a gente tem de que no instante da morte, antes de fato da consciência ir embora, a gente passa por um momento de superconsciência, em que memórias de muita relevância, principalmente emocional, são acionadas, como se passasse um filme da sua vida mesmo. Não dá para provar isso, mas do ponto de vista elétrico isso faz sentido”, diz Gomes.

Diante de um evento como um acidente vascular cerebral (AVC), os neurônios suportam por até cinco minutos a falta de oxigenação e da chegada de nutrientes. Da mesma forma, quando o coração deixa de funcionar, as células do corpo humano ainda permanecem em atividade por um tempo.

“O evento final aconteceu, ou seja, o coração parou de funcionar, existiu e foi captado um padrão diferente de funcionamento de alta frequência antes e depois. E depois isso, de alguma forma, cessou”, explica o neurocirurgião.

O primeiro registro de ondas cerebrais na superfície do crânio foi obtido pelo neuropsiquiatra alemão, Hans Berger, na década de 1920. O episódio marcou o início da técnica de eletroencefalografia, que veio a ser incorporada à prática clínica.

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