Entenda o que é a 'síndrome do coração feliz' e seus sintomas
Caso clínico de miocardiopatia de Takotsubo ativada por emoções positivas foi registrado após festa de casamento

Uma paciente de 65 anos de idade foi internada em uma unidade de saúde apresentando dores no peito após comemorar o casamento de sua filha. O diagnóstico final revelou um caso de síndrome do coração feliz, uma variante rara da síndrome de Takotsubo.
Segundo o relato do caso, publicado em julho na revista científica Oxford Medical Case Reports, o primeiro eletrocardiograma mostrou alterações que sugeriam um infarto em andamento. Em um novo exame, porém, aquela alteração havia desaparecido, dando lugar a outros sinais de sobrecarga do músculo.
O que é a síndrome do coração feliz?
A síndrome de Takotsubo, popularmente conhecida como "síndrome do coração partido", é caracterizada por uma disfunção transitória no ventrículo esquerdo do coração, sem que haja obstrução nas artérias coronárias. Na variação clássica, a condição é desencadeada por estresse emocional negativo ou físico.
Contudo, na síndrome do coração feliz, o gatilho é um evento de intensa alegria ou celebração. Esta apresentação clínica representa cerca de 4,1% de todos os casos registrados da síndrome de Takotsubo.
Sintomas simularam infarto agudo
No caso relatado pelos médicos, a paciente, que possuía histórico de hipertensão, diabetes e dislipidemia, apresentou sintomas que mimetizavam um infarto agudo. Os exames iniciais de eletrocardiograma apontaram alterações e os níveis de troponina cardíaca estavam elevados em 717 ng/l.
Apesar do quadro clínico, a angiografia indicou artérias coronárias normais. O diagnóstico foi confirmado por meio de um ecocardiograma e de um ventriculograma esquerdo, que demonstraram o balonamento apical característico da síndrome e uma queda na fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 58% para 35%.
Tratamento e recuperação
Após receber o tratamento medicamentoso recomendado pelas diretrizes clínicas, a paciente apresentou recuperação cardíaca total. Exames de acompanhamento mostraram que a fração de ejeção do coração retornou para 56%.
O caso enfatiza a importância de os profissionais de saúde investigarem gatilhos emocionais positivos diante de sintomas que simulam síndromes coronarianas agudas.


